Dólar fecha praticamente estável e acumula queda superior a 3,6% no ano
Fluxo estrangeiro e diferencial de juros sustentam real apesar de ajustes no mercado
ECONOMIAO dólar encerrou esta sexta-feira (23) próximo da estabilidade frente ao real. No mercado à vista, a moeda norte-americana fechou com leve alta de 0,03%, cotada a R$ 5,2862, movimento atribuído principalmente a ajustes técnicos, após ter atingido na véspera o menor nível desde novembro de 2025.
Apesar do comportamento mais contido no dia, o desempenho semanal foi negativo para a divisa. Ao longo da semana, o dólar acumulou queda de 1,61% e, em 2026, já registra desvalorização superior a 3,6%. O recuo ocorre em meio à entrada expressiva de recursos estrangeiros no País e ao interesse por operações de carry trade, favorecidas pelo elevado diferencial de juros.
Mesmo com a valorização de commodities importantes para o Brasil, como o petróleo, que subiu quase 3%, e o minério de ferro, que avançou cerca de 1% em Dalian, o real não conseguiu estender o movimento de apreciação observado na quinta-feira. Também não houve impulso adicional a partir da perda de força do dólar frente a moedas de países desenvolvidos.
Segundo o especialista em investimentos da Nomad, Bruno Shahini, existe uma força compradora consistente da moeda americana próxima ao patamar de R$ 5,30, o que tem limitado quedas mais acentuadas do câmbio, mesmo em um cenário externo mais favorável aos ativos brasileiros.
Para o economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, o desempenho desta sexta-feira reflete apenas um ajuste natural após a forte valorização recente do real. “Como o câmbio valorizou muito nos últimos dias, acho que o desempenho nesta sexta é mero movimento de mercado”, avaliou. Ele destaca ainda que a queda do índice DXY, que mede o dólar frente a uma cesta de moedas fortes, ajuda a explicar a manutenção da taxa abaixo de R$ 5,29.
No campo dos fundamentos, Sung aponta que a redução das tensões geopolíticas globais tem aumentado o apetite por risco e estimulado o envio de recursos para mercados emergentes. Nesse contexto, o Brasil segue atrativo por manter uma taxa Selic elevada, atualmente em 15% ao ano, o que favorece operações de arbitragem.
Na mesma linha, o sócio especializado em câmbio da One Investimentos, João Duarte, afirma que o real encontra sustentação em um ambiente externo mais construtivo, que tem direcionado capital estrangeiro para o câmbio, a renda fixa e o mercado acionário brasileiro.
Esse fluxo também se reflete na Bolsa. O Ibovespa renovou mais uma vez o recorde intradia, alcançando a faixa inédita dos 180,5 mil pontos. Até o dia 21 de janeiro, a B3 já havia recebido R$ 12,35 bilhões em recursos externos, volume que corresponde a pouco mais da metade de todo o montante aportado por investidores estrangeiros ao longo de 2025.