Daniela Amorim | 23 de janeiro de 2026 - 16h00

Queda nos preços de alimentos alivia inflação para famílias mais pobres em 2025, aponta Ipea

Arroz e feijão ajudaram a conter custos, mas alta da energia, gás e saúde ainda pesou no orçamento

ECONOMIA
Queda nos preços de alimentos ajudou a aliviar a inflação para famílias de menor renda em 2025. Tags: inflação, Ipea, IPCA, custo de vida, alimentos, renda baixa, economia brasileira - (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

A inflação sentida pelas famílias de renda mais baixa perdeu força em 2025, impulsionada principalmente pela queda nos preços de alimentos básicos como arroz e feijão. A avaliação é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que destaca, por outro lado, a pressão provocada pelo aumento da conta de luz, do gás de botijão e das despesas com saúde e cuidados pessoais ao longo do ano.

De acordo com o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, a inflação acumulada para o segmento de renda muito baixa recuou de 4,91% em 2024 para 3,81% em 2025. O movimento indica um alívio relevante no custo de vida das famílias mais vulneráveis, que haviam sido mais afetadas no ano anterior.

Já entre as famílias de renda mais alta, o comportamento foi diferente. Nesse grupo, a inflação acelerou, passando de 4,43% em 2024 para 4,72% em 2025, segundo o mesmo levantamento.

O indicador do Ipea utiliza como base o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No acumulado geral, o IPCA desacelerou de 4,83% em 2024 para 4,26% em 2025.

“O resultado consolidado de 2025 indica que, à exceção da faixa de renda alta, todas as demais classes apresentaram queda da inflação em relação a 2024”, explicou Maria Andreia Parente Lameiras, técnica de Planejamento e Pesquisa do Ipea, no relatório do indicador.

Diferenças por faixa de renda - O estudo divide as famílias em seis faixas de renda mensal, que vão desde rendimentos inferiores a R$ 2.202,02, no caso da renda muito baixa, até valores acima de R$ 22.020,22, que caracterizam a renda mais elevada.

Em 2025, quanto menor a renda familiar, mais branda foi a inflação acumulada no ano. O cenário se inverte em relação a 2024, quando os aumentos de preços pressionaram de forma mais intensa os orçamentos das famílias de menor renda.

Segundo Lameiras, a principal explicação para esse comportamento está no desempenho dos alimentos consumidos no domicílio. “Essa descompressão inflacionária ao longo de 2025 decorreu, principalmente, da melhora no comportamento dos preços dos alimentos no domicílio, cuja variação acumulada no ano recuou de 8,2% em 2024 para 1,4% em 2025”, afirmou.

Além dos alimentos, também contribuíram para o alívio, embora com menor impacto, a queda mais intensa nos preços de produtos eletroeletrônicos, que passaram de uma variação de -0,8% em 2024 para -5,1% em 2025, e a desaceleração da gasolina, cuja alta caiu de 9,7% para 1,9% no período.

Pressões no orçamento - Apesar do cenário mais favorável para os alimentos, outros grupos de despesas mantiveram pressão sobre o custo de vida, especialmente entre famílias de renda baixa e média. Os principais impactos vieram dos grupos habitação e saúde e cuidados pessoais.

No caso da habitação, os reajustes do gás de botijão, com alta de 2,5%, e da energia elétrica, que subiu 12,3%, tiveram peso relevante. Já em saúde e cuidados pessoais, destacaram-se os aumentos dos produtos farmacêuticos (5,4%), itens de higiene (4,2%), serviços de saúde (7,7%) e planos de saúde (6,4%).

Para as famílias de renda mais elevada, outros grupos exerceram influência importante sobre a inflação. Transportes, despesas pessoais e educação foram os principais responsáveis, refletindo reajustes expressivos em serviços como transporte por aplicativo, que subiu 56,1%, além de combustíveis (2,3%), serviços de recreação (6,7%) e mensalidades escolares (6,5%).

Comportamento no fim do ano - Na passagem de novembro para dezembro de 2025, a inflação voltou a acelerar em todas as faixas de renda. Para as famílias de renda muito baixa, o índice passou de 0,01% em novembro para 0,14% em dezembro.

Entre as famílias de renda alta, a inflação mensal subiu de 0,45% para 0,51% no mesmo período. Já o IPCA geral avançou de 0,18% em novembro para 0,33% em dezembro, sinalizando pressão maior nos preços no encerramento do ano.