Agência Estado | 22 de janeiro de 2026 - 19h45

Transfer ban pode forçar Botafogo a emprestar reforços no início da temporada

Dívida com clube dos EUA impede registros e já provoca saídas e ajustes no planejamento

FUTEBOL
Alessandro Brito, diretor de gestão esportiva do Botafogo. - (Foto: Vitor Silva/BFR)

O Botafogo corre o risco de iniciar a temporada de 2026 com mais baixas no elenco e sem poder utilizar parte dos jogadores contratados neste ano. Após as saídas de Marlon Freitas, Jefferson Savarino e David Ricardo, o clube pode ser obrigado a emprestar atletas recém-chegados por causa do transfer ban imposto pela Fifa no fim de 2025.

A punição foi aplicada devido a uma dívida do clube carioca com o Atlanta United, dos Estados Unidos, no valor de US$ 21 milhões (cerca de R$ 111,5 milhões), referente à contratação do meia argentino Thiago Almada. Além desse montante, o Botafogo ainda deve outros US$ 9 milhões (aproximadamente R$ 47,8 milhões) relacionados a bônus contratuais e cláusulas de transferência.

À época da sanção, o clube informou que buscava uma solução negociada. “O Botafogo informa que, nas últimas semanas, manteve conversas construtivas com representantes do Atlanta United, da MLS, em busca de um acordo relacionado ao caso de Thiago Almada. O Botafogo espera ter o tema resolvido antes do início ou logo no começo da janela de transferências”, comunicou a diretoria.

Até o momento, a dívida segue ativa, o que mantém o Botafogo impedido de registrar novos jogadores. A restrição atinge diretamente nomes como os zagueiros Riquelme e Ythallo, além do atacante uruguaio Lucas Villalba, que não podem ser inscritos em competições oficiais enquanto a situação não for regularizada.

Diante desse cenário, a diretoria avalia a possibilidade de emprestar esses atletas, como forma de mantê-los em atividade e com ritmo de jogo até que o transfer ban seja suspenso. A medida é vista como paliativa, mas necessária para evitar prejuízos técnicos maiores no curto prazo.

O momento financeiro delicado também deve resultar em novas vendas. O diretor de gestão esportiva do clube, Alessandro Brito, admitiu que negociações serão inevitáveis. “Fatalmente precisamos vender alguns jogadores. Posso dizer que 90% do elenco recebeu propostas, o que mostra a qualidade e o caminho que o Botafogo está trilhando nesses anos”, afirmou o dirigente.

A principal saída até agora foi a do volante Marlon Freitas, capitão nas conquistas do Campeonato Brasileiro e da Copa Libertadores de 2024. O jogador foi negociado com o Palmeiras por 5,4 milhões de euros (cerca de R$ 33,6 milhões). Já o meia Jefferson Savarino, um dos destaques recentes da equipe, deixou General Severiano para defender o rival Fluminense.

No mercado internacional, a única venda concretizada foi a do zagueiro David Ricardo, de 23 anos, contratado pelo Dínamo Moscou, da Rússia. A negociação gira em torno de 6,5 milhões de euros, aproximadamente R$ 40 milhões. Segundo o jornal O Globo, parte desse valor será usada para quitar salários atrasados do elenco.

Enquanto tenta reorganizar as finanças e resolver o impasse com a Fifa, o Botafogo segue sua agenda esportiva. O time volta a campo no próximo sábado (24), às 21h, contra o Bangu, no Estádio Nilton Santos, pela quarta rodada do Campeonato Carioca.

A expectativa interna é de que um acordo com o Atlanta United permita a retomada normal das inscrições, mas, até lá, o clube convive com incertezas e ajustes forçados no planejamento da temporada.