Otan alerta para avanço da cooperação militar entre Rússia e China no Ártico
Comandante da aliança aponta patrulhas conjuntas e diz que região vive momento sensível na segurança internacional
INTERNACIONALO comandante supremo da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para a Europa, general norte-americano Alexus Grynkewich, alertou nesta quinta-feira (22) para o aumento da cooperação militar entre Rússia e China na região do Ártico. Segundo ele, a atuação conjunta dos dois países já é vista como uma das mudanças mais preocupantes no atual cenário de segurança da área.
O general afirmou que essa aproximação tem se manifestado de forma concreta tanto no mar quanto no ar. De acordo com Grynkewich, há registro de crescimento no número de patrulhas conjuntas marítimas e também de operações aéreas com bombardeiros de longo alcance, o que amplia o nível de atenção das forças da aliança militar no extremo norte do planeta.
“Isso tem ocorrido tanto no domínio marítimo, com o aumento de patrulhas conjuntas, quanto no domínio aéreo, com patrulhas conjuntas de bombardeiros de longo alcance”, disse o comandante durante coletiva de imprensa realizada pela Otan. Para ele, trata-se de um movimento que exige acompanhamento constante. “É algo que precisamos prestar atenção”, completou.
O Ártico é considerado uma região estratégica por concentrar rotas marítimas que podem se tornar mais acessíveis com o derretimento das calotas polares, além de abrigar reservas de recursos naturais e ter relevância militar crescente. Nos últimos anos, o espaço passou a ocupar papel central nas disputas geopolíticas entre grandes potências.
Durante a coletiva, Grynkewich explicou que a Otan tem avaliado alternativas para ajustar sua presença e capacidade de resposta na região. “Estamos constantemente tentando reforçar nossa postura e pensar em maneiras pelas quais os países podem fortalecê-la no Ártico”, afirmou. Ele também ocupa o cargo de comandante das forças dos Estados Unidos na Europa, o que amplia sua atuação direta nas estratégias da aliança.
O alerta ocorre em um contexto de maior tensão internacional, marcado por movimentações militares e diplomáticas envolvendo áreas consideradas sensíveis. A cooperação entre Moscou e Pequim no Ártico, segundo o general, representa uma mudança relevante no equilíbrio de forças e exige atenção dos países-membros da Otan.
Além disso, Grynkewich comentou a possibilidade de a aliança atuar de forma mais direta na proteção da região, caso seja solicitada. A declaração veio após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar um esboço de acordo que, segundo ele, atende às exigências do governo norte-americano em relação à Groenlândia, território estratégico no Ártico.
O comandante esclareceu, no entanto, que até o momento não houve avanço nesse sentido dentro da Otan. “Nós ainda não fizemos nenhum planejamento. Não recebemos orientações políticas para avançar”, afirmou o general, após uma reunião do alto comando da aliança militar.
A Groenlândia, que pertence ao Reino da Dinamarca, tem sido alvo de atenção internacional devido à sua localização estratégica e ao potencial impacto das mudanças climáticas sobre a região. O interesse demonstrado pelos Estados Unidos reforça a percepção de que o Ártico se tornou um ponto-chave nas discussões de segurança global.
Para analistas, as declarações de Grynkewich indicam que a Otan busca se antecipar a possíveis mudanças no cenário internacional, especialmente diante do fortalecimento de parcerias militares fora do eixo tradicional da aliança. A presença conjunta de Rússia e China no Ártico tende a influenciar decisões futuras sobre vigilância, cooperação entre países-membros e investimentos em defesa.
O tema deve seguir em debate nos próximos encontros da Otan, à medida que a região se torna cada vez mais central nas estratégias de segurança das grandes potências.