PSDB mira 2026 com foco na reeleição de Riedel e na ida de Reinaldo ao Senado
Nova direção tucana em Campo Grande descreve 2026 como ano-chave, com prioridade na chapa majoritária e reorganização da base para 2028 e 2030
PLANEJAMENTOAo projetar 2026, o novo presidente do diretório municipal do PSDB em Campo Grande, Jonas de Paula, não deixa margem para dúvidas e destaca que a prioridade eleitoral tucana é a reeleição do governador Eduardo Riedel (PP) e a eleição do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) para o Senado. Em tom bem-humorado, mas com recado político claro, ele definiu a ida de Riedel ao PP como um movimento estratégico:
“O governador Riedel foi eleito pelo PSDB. A gente brinca que fizemos um empréstimo para o PP, para ele dar um up lá. Mas a prioridade do PSDB é a reeleição do governador Eduardo Riedel e a eleição do ex-governador Reinaldo Azambuja para o Senado, nossa prioridade zero", confirma.
A declaração foi dada nesta quinta-feira (22), no Giro Estadual de Notícias, em um momento em que o partido discute federação, alianças e o papel que terá nas eleições gerais.
MS como reduto tucano em meio ao declínio nacional - O plano eleitoral tucano em Mato Grosso do Sul se apoia no fato de o Estado ter virado uma espécie de “ilha” de força partidária em meio ao encolhimento nacional. Enquanto o PSDB perdeu espaço em grandes centros e registrou sua menor bancada federal em 2022, em MS o partido conquistou o governo pela terceira vez consecutiva.
Azambuja venceu em 2014 e foi reeleito em 2018, e, em 2022, Eduardo Riedel foi eleito governador com 56,9% dos votos válidos no segundo turno. Na mesma eleição, o PSDB elegeu seis deputados estaduais, formando a maior bancada na Assembleia Legislativa.
É esse capital político que Jonas e o vice-presidente do diretório municipal, Almir Cantero, querem transformar em votos e cadeiras em 2026. O novo presidente da sigla em Campo Grande foi direto ao listar as prioridades.
“A prioridade do PSDB é a reeleição do governador Eduardo Riedel. A segunda prioridade é eleger o ex-governador Reinaldo Azambuja para o Senado, nosso primeiro senador.”
Ele reforçou que, mesmo com o governador hoje filiado ao PP, a origem tucana de Riedel e a continuidade de um projeto de gestão são centrais para o discurso. “Não posso olhar para trás e deixar de atribuir ao ex-governador Reinaldo a capacidade de diálogo e de gestão que ele imprimiu, culminando com a eleição do então secretário de Governo, Eduardo Riedel, para sucedê-lo. Em 45 anos de Estado, foi a primeira vez que um governador elegeu seu sucessor", diz.
Câmara Federal e Assembleia: quem fica e quem vem - No plano proporcional, o PSDB prepara chapa para a Câmara dos Deputados com a aposta na reeleição de nomes já conhecidos:
“Nossa chapa de federal está consistente com o deputado Beto Pereira, o deputado Dagoberto Nogueira, o deputado Geraldo Rezende. Vamos trabalhar para que esses três cheguem novamente à Câmara, porque isso é importante para o Estado", opina.
Jonas cita ainda outros quadros “sem mandato”, além de prefeitos e ex-prefeitos, que devem compor a chapa. Em relação à Assembleia Legislativa, ele antecipa um cenário de mudanças internas:
“Informações preliminares indicam que, dos seis deputados, quatro devem se desfiliar. Devem permanecer o deputado Caravina e a deputada Lia Nogueira. Mas temos grandes quadros, como os quatro vereadores de Campo Grande, que são pré-candidatos, ainda avaliando se vão disputar estadual ou federal", informa.
O raciocínio, segundo o dirigente, é aproveitar o fim de um ciclo de 12 anos consecutivos de presença tucana no comando do Executivo estadual, previsto para o fim de 2026, como vitrine para renovar lideranças.
Apesar de enumerar nomes e prioridades, Jonas insiste que o “coração” da estratégia não está apenas em candidaturas, mas na base. “Vamos preparar a militância, debater a última década, ou mesmo as últimas duas, para que o partido esteja pronto. Um partido que não cresce, que não cria torcida e militância, e que não disputa campeonatos, está fadado a desaparecer.”
Ele adianta que ações já estão planejadas para fevereiro e março, antes da abertura oficial do calendário eleitoral, justamente para organizar o PSDB de baixo para cima: “Teremos pouco tempo para essa organização, mas vamos fazê-la junto com os filiados. A partir de abril, com o calendário eleitoral aberto, o foco já será quase campanha", explica.
Almir completa que o planejamento vai além de 2026. “O PSDB está aqui para servir a população. E essa reconstrução que o Jonas comanda em nível municipal não olha apenas para 2026. Já estamos preparando o partido para 2028 e 2030. Estamos olhando para o futuro", aponta.
No diagnóstico da cúpula tucana, a viabilidade do projeto eleitoral passa por um reposicionamento ideológico que dialogue com o eleitor cansado da disputa PT x bolsonarismo. Jonas e Almir enxergam o PSDB como alternativa de centro, com base social-democrata.
“As pessoas querem fugir dessa polarização entre bolsonarismo e lulopetismo. O PSDB ressurge como grande esperança”, afirma Almir. Ele critica a lógica de personalismo e a falta de projetos concretos no debate nacional: “Hoje temos pré-candidatos de ‘tiktok’, que passam o dia nas redes sociais, atacando pessoas, mas sem apresentar propostas. O que o povo quer são projetos que melhorem a vida de verdade", salienta.
Para Almir, a social-democracia tucana, que sempre defendeu Estado regulador, economia de mercado com responsabilidade social e fortalecimento de políticas públicas, continua atual. “A social-democracia nos dá a possibilidade de gerenciar e fiscalizar a iniciativa privada, com parcerias público-privadas que nasceram em governos tucanos e foram muito bem aplicadas aqui no Estado. O povo quer dignidade, trabalho, salário, não apenas depender de programas de transferência de renda", diz.
Gestão, obras e municipalismo como vitrine - Uma frente importante no discurso tucano para 2026 será a gestão estadual dos últimos 12 anos, especialmente na área de municipalismo e infraestrutura. Jonas cita o programa que amplia repasses e investimentos em parceria com as prefeituras e a aposta em obras estruturantes.
“Antes se vendia obra faraônica que nunca saía do papel. Hoje a população vê a universalização de água e esgoto chegando antes de 2030, vê obras em Campo Grande, como a transformação do eixo Nova Lima–Oscar Salazar, o novo acesso às Moreninhas, as PPPs em andamento", afirma.
Na avaliação de Jonas, o desafio é comunicar que planejamento leva tempo e que o ciclo de investimentos tucanos não é “obra para foto”, mas política pública de longo prazo.
“A população pergunta quando vai sair a ponte ou o viaduto, mas esquece que existe planejamento, projeto, licitação, execução. Se o país tivesse gestão séria, atacaria o problema das mais de 100 mil obras paradas, que drenam recursos e impedem novos investimentos", diz.
No cenário nacional, Jonas avalia que o PSDB passa por um processo de reorganização semelhante ao vivido nos anos 1990, mas agora após um ciclo de desgaste e perda de protagonismo.
Ele cita o retorno de lideranças como Ciro Gomes ao partido em alguns estados, a movimentação de nomes tradicionais para disputar governos estaduais e a articulação de Aécio Neves dentro da legenda, numa tentativa de reconstruir um campo de centro. “Há uma reacomodação de forças que indica a possibilidade de um governo de centro. Essa é nossa torcida e nossa força política. As pessoas de bem, que pensam a política a favor da população, precisam ombriar esse movimento.”
Para Jonas e Almir, o desempenho de 2026 será decisivo para saber se o PSDB conseguirá reconstruir um espaço próprio no cenário nacional ou se continuará encolhendo e cedendo terreno a outras siglas. “Digo ao militante tucano que se afastou ou ficou chateado: voltem. Procurem o diretório local, venham discutir o futuro. Estamos montando um arco de partidos que quer a continuidade de um projeto de desenvolvimento. O PSDB não acabou; está se reorganizando para as próximas décadas”, reforçou Jonas. Confira a entrevista na íntegra: