Redação | 22 de janeiro de 2026 - 12h05

Empresário condenado por matar esposa é preso 24 anos após o crime

Empresário Sérgio Nahas, condenado pela morte de Fernanda Orfali em 2002, foi encontrado em condomínio de luxo em Praia do Forte após ser identificado por câmeras.

CRIME EM 2002
Ele foi condenado pela morte de Fernanda Orfali, então com 28 anos, em maio de 2002. - (Foto: Divulgação)

Quase 24 anos depois de matar a esposa em São Paulo, o empresário paulista Sérgio Nahas, de 61 anos, foi preso no último sábado (17) em um condomínio de luxo em Praia do Forte, na Bahia. Ele foi condenado pela morte de Fernanda Orfali, então com 28 anos, em maio de 2002.

O crime aconteceu no apartamento onde o casal morava, em Higienópolis, região central da capital paulista. Fernanda levou um tiro no peito depois de comunicar ao marido que queria se separar. A investigação apontou que ela havia confrontado Nahas pelo uso abusivo de cocaína e por um relacionamento amoroso que ele mantinha com uma travesti.

De família rica e de descendência sírio-libanesa, o empresário sempre foi tratado como alguém com recursos para deixar o País, o que levou à suspeita de fuga ao exterior.

Mesmo com laudos periciais apontando Nahas como autor do disparo e com o Ministério Público defendendo condenação por homicídio qualificado, a defesa sustentou ao longo do processo que Fernanda teria cometido suicídio em razão de uma depressão severa. A família Orfali sempre rejeitou essa versão e afirma que ela jamais fez tratamento psiquiátrico.

A demora na tramitação fez com que o julgamento em júri popular só ocorresse 16 anos após o crime. Nahas acabou condenado por homicídio simples, sem qualificadoras, e recebeu pena inicial de sete anos em regime semiaberto.

O Ministério Público recorreu, e a pena foi aumentada para 8 anos e 2 meses. Quando Fernanda foi assassinada, ainda não existiam a Lei Maria da Penha (sancionada em 2006) nem a lei do feminicídio (de 2015).

Enquanto recorria às instâncias superiores, o empresário permaneceu em liberdade. O Supremo Tribunal Federal confirmou a condenação e determinou o início do cumprimento da pena, em regime fechado. A defesa ainda apresentou novos embargos até o trânsito em julgado.

Mandado, Interpol e captura - Em junho de 2025, o juiz Roberto Zanichelli Cintra, da 1ª Vara do Júri de São Paulo, expediu mandado de prisão contra Nahas e determinou que o nome dele fosse incluído na Difusão Vermelha da Interpol, permitindo sua captura também fora do Brasil.

A prisão, porém, aconteceu em território nacional. No sábado (17), o empresário circulava normalmente pelas ruas de Praia do Forte, balneário onde, em 2002, havia passado a lua de mel com Fernanda, seis meses antes de matá-la.

Ele foi identificado por meio de câmeras de videomonitoramento e reconhecimento facial. Policiais confirmaram a identidade e o localizaram no condomínio Kawai, na Praia dos Artistas, área central de Praia do Forte.

Ao ser abordado, Nahas não resistiu à prisão. Com ele, a polícia apreendeu 17 pinos de cocaína, três celulares, um carro Audi, cartões de crédito e medicamentos de uso contínuo.

Defesa e família da vítima - Segundo a advogada Adriana Machado Abreu, o empresário vive na Bahia desde o ano passado. Ela afirma que Nahas é uma “pessoa íntegra, idosa, com questões graves de saúde” e sustenta que ele “não tinha interesse em ficar foragido”.

A defensora disse ainda não ter conseguido falar com o cliente após a prisão e, por isso, preferiu não comentar a apreensão dos pinos de cocaína relatada pela polícia.

Já o advogado da família de Fernanda, Davi Gebara, avalia que o alto poder aquisitivo de Nahas contribuiu para a demora na conclusão do processo. Segundo ele, houve um “padrão de atraso processual”, com a apresentação sucessiva de recursos e embargos ao longo dos anos.