União bate recorde e arrecada R$ 2,89 tri em impostos em 2025
Receita Federal registra alta real de 3,75% na arrecadação; IOF dispara e dezembro tem maior resultado desde 2000
MUITO DINHEIROO caixa da União fechou 2025 no azul mais forte da série histórica. A arrecadação de impostos e contribuições federais somou R$ 2,887 trilhões no ano, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (22) pela Receita Federal. Em valores corrigidos pela inflação, o crescimento foi de 3,75% em relação a 2024, o maior patamar desde o início da série, em 2000.
O resultado ficou muito próximo do que esperava o mercado financeiro: a mediana das projeções apontava para R$ 2,885 trilhões em receitas, com estimativas variando de R$ 2,876 trilhões a R$ 2,913 trilhões.
Entre os destaques do ano está o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), cuja arrecadação teve alta real de 20,54%, alcançando R$ 86,477 bilhões.
De acordo com a Receita, esse avanço está ligado principalmente:
às operações de saída de moeda estrangeira;
ao crédito para pessoas jurídicas;
e a transações com títulos e valores mobiliários,
em um cenário de mudanças na legislação e aumento de alíquotas do imposto.
A receita previdenciária também teve peso relevante no resultado. Somou R$ 737,571 bilhões em 2025, com crescimento real de 3,27%. O desempenho foi influenciado pela melhora do mercado de trabalho, pelo aumento da massa salarial e pela reoneração gradual da contribuição patronal de municípios e da folha de pagamentos.
O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre rendimentos do trabalho arrecadou R$ 235,396 bilhões, alta real de 5,75%. Dentro desse grupo, a Receita aponta aumento de 5,86% na tributação sobre salários e de 8,50% sobre aposentadorias.
Já o IRRF sobre rendimentos de capital chegou a R$ 162,594 bilhões, crescimento de 6,42%, impulsionado especialmente pelas aplicações de renda fixa, que tiveram alta real de 23,67% na arrecadação.
O IRRF sobre rendimentos no exterior avançou 12,91%, para R$ 86,202 bilhões.
O IRRF de “outros rendimentos” ficou em R$ 23,846 bilhões, alta de 8,17%.
Entre os tributos sobre consumo, a Cofins arrecadou R$ 458,053 bilhões em 2025, com aumento de 3,13% acima da inflação. O PIS/Pasep somou R$ 123,893 bilhões, crescimento real de 2,65%.
O fechamento do ano veio com um dezembro forte. A arrecadação do mês chegou a R$ 292,724 bilhões, acima da mediana das projeções do mercado (R$ 290,10 bilhões). Em novembro, o montante havia sido de R$ 226,753 bilhões.
Na comparação com dezembro de 2024, houve alta real de 7,46%, o melhor resultado para o mês em toda a série histórica iniciada em 2000.
Mais uma vez, o IOF teve papel de destaque:
arrecadação de R$ 8,669 bilhões em dezembro;
alta real de 26,72% frente ao mesmo mês do ano anterior;
reflexo direto da elevação de alíquotas promovida pelo governo ao longo de 2025.
A receita previdenciária também cresceu no último mês do ano, somando R$ 93,501 bilhões, alta real de 4,45%. A Receita atribui o resultado ao aumento de 5,36% da massa salarial e à reoneração escalonada da contribuição patronal dos municípios e da folha.
PIS/Pasep e Cofins arrecadaram juntos R$ 10,724 bilhões em dezembro, alta real de 3,43% em relação a dezembro de 2024. O desempenho reflete:
leve queda de 0,34% no volume de vendas;
aumento de 2,52% no volume de serviços;
crescimento da arrecadação de empresas em geral e de instituições financeiras;
e redução na arrecadação ligada à importação.
O IRRF sobre capital fechou dezembro em R$ 32,701 bilhões, com crescimento real de 22,70% frente ao mesmo mês do ano anterior. O principal fator foi o aumento nominal de 29,23% na tributação de aplicações de renda fixa para pessoas físicas e jurídicas.
O relatório da Receita também cita, como fator de fundo, os efeitos da Medida Provisória 1.303. O texto, que acabou rejeitado pelo Congresso em outubro, ficou em vigor por mais de três meses e previa:
elevação da alíquota de IR sobre juros sobre capital próprio (JCP), de 15% para 20%;
unificação da alíquota de imposto sobre aplicações financeiras em 17,5%, no lugar da tabela progressiva de 15% a 22,5%.
Mesmo derrubada, a MP influenciou o comportamento de contribuintes e do mercado ao longo de parte de 2025, ajudando a explicar o aumento na arrecadação sobre rendimentos de capital.