Carlos Guilherme | 22 de janeiro de 2026 - 10h10

Obras resgatam igreja da Comunidade Tia Eva, interditada desde 2019 em Campo Grande

Restauração da Igreja São Benedito e do salão comunitário deve avançar até novembro, quando se completa 100 anos da morte de Tia Eva

RESGATE
Igreja de São Benedito, na Comunidade Tia Eva, passa por restauração após interdição em 2019, sob expectativa dos moradores. - (Foto: Bruno Rezende)

Interditada desde 2019, a Igreja de São Benedito, no coração da Comunidade Tia Eva, em Campo Grande, finalmente começou a ser restaurada. O início das obras mexeu com a memória afetiva de quem cresceu naquele espaço, onde por décadas se concentraram missas, festas, velórios, casamentos e encontros da comunidade.

A obra é tocada pelo Governo do Estado e foi discutida previamente com os moradores para ajustar o cronograma às festas religiosas e tradicionais. A expectativa é que a igreja esteja pronta até novembro deste ano, quando se completa o centenário da morte de Tia Eva, referência histórica e espiritual da comunidade.

Aos 70 anos, Antônio Borges dos Santos, trineto da pioneira, acompanha de perto cada movimentação em frente à igreja. "Lembro quando a gente sonhava em crescer só para poder tocar o sino, e ver na restauração uma chance de reconstruir lembranças. A obra significa recuperar a cultura e a tradição deixadas por Tia Eva, interrompidas desde que o templo foi interditado", explica.

Antônio Borges dos Santos, trineto da pioneira da região - (Foto: Bruno Rezende)

Além da igreja, o projeto prevê melhorias no salão de eventos, usado para a Festa de São Benedito, que tem mais de 100 anos, e para atividades da comunidade. O espaço é palco de missas, novenas, bailes, churrascos e apresentações culturais, e já chegou a receber shows como o da cantora Leci Brandão, com público até do lado de fora.

Moradora desde que nasceu, há 50 anos, Vânia Lúcia Baptista destaca a ansiedade pelo retorno das atividades dentro da igreja."A interdição quebrou uma rotina semanal de orações e encontros dos mais velhos, que agora esperam voltar a rezar o terço de São Benedito no espaço original", diz.

Vânia Lúcia - que já chefiou a subsecretaria de Promoção da Igualdade Racial - e Artur Padilha comentam sobre a importância da obra - (Foto: Bruno Rezende)

Chegado depois à comunidade, Artur Padilha aponta o clima de expectativa com a revitalização da igreja e do entorno. "O conjunto de intervenções representa um reconhecimento da importância histórica do lugar e do vínculo dos moradores com o espaço", afirma.

De acordo com Adanilto Faustino de Souza Jr., gerente de Projetos e Orçamentos Civis da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de MS), o cronograma foi ajustado para não atrapalhar a Festa de São Benedito, realizada em maio. Por isso, a prioridade agora é a restauração da igreja. O salão de eventos começa a ser reformado após as comemorações.

Igreja de São Benedito, na Comunidade Tia Eva, passa por restauração após interdição em 2019, sob expectativa dos moradores - (Foto: Bruno Rezende)

O projeto inclui o restauro arquitetônico da Igreja de São Benedito, a conservação de bens históricos como o sino, o busto de Tia Eva e o cruzeiro de madeira, além da requalificação de todo o espaço comunitário. O barracão de eventos será totalmente reformulado, com nova cozinha, área de churrasqueira, bar, palco, banheiros adequados às normas de acessibilidade e sistema de prevenção contra incêndio.

Também serão implantados um espaço educacional para a comunidade, depósito, banheiros acessíveis e um Centro de Atendimento ao Turista (CAT). Áreas verdes, praça de convivência e melhorias urbanísticas devem integrar o conjunto, garantindo ainda melhor acesso aos moradores que vivem ao fundo do terreno.

O investimento é de R$ 2,213 milhões, em parceria com a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS).