Patricia Lara | 22 de janeiro de 2026 - 08h00

Chanceler da Alemanha critica freio da União Europeia ao acordo Mercosul

Friedrich Merz diz que pacto é essencial para crescimento europeu e defende redução de burocracia

ECONOMIA
Chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, defendeu em Davos a entrada em vigor do acordo entre União Europeia e Mercosul. - (Foto: Reprodução X)

O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, voltou a manifestar insatisfação com a decisão do Parlamento Europeu de colocar entraves ao acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul. A declaração foi feita durante um painel no Fórum Econômico Mundial, em Davos, onde Merz afirmou que o pacto é necessário para garantir crescimento econômico mais robusto no continente.

Segundo o chanceler, o acordo firmado com os países sul-americanos é equilibrado e representa uma oportunidade estratégica para a Europa. “O acordo com o Mercosul é justo e equilibrado. Não há alternativa a ele se quisermos ter crescimento mais alto na Europa”, afirmou. Para Merz, a União Europeia deveria adotar o tratado de forma provisória enquanto as discussões políticas seguem em andamento.

A fala reforça o posicionamento já demonstrado pelo chanceler em publicações anteriores nas redes sociais. Na ocasião, Merz criticou abertamente a decisão de parlamentares europeus de votar pelo bloqueio do acordo, assinado no último sábado, em Assunção, no Paraguai. Os parlamentares alegaram preocupações jurídicas e questionamentos sobre a legalidade do texto.

Durante o painel em Davos, Merz também abordou temas de segurança internacional. Ele afirmou que a Europa não aceitará ameaças ao seu território e destacou o compromisso com a proteção da Groenlândia e da Dinamarca diante de tensões envolvendo a Rússia.

“Qualquer ameaça de força contra o território europeu é inaceitável”, disse o chanceler, ao defender uma postura firme da União Europeia frente a riscos geopolíticos.

No campo doméstico, Merz falou sobre os desafios para tornar a economia alemã mais dinâmica e competitiva. Segundo ele, será necessário avançar em reformas estruturais, incluindo redução de impostos e mudanças no sistema trabalhista.

O chanceler citou diferenças na carga de trabalho como um dos fatores que impactam a produtividade. “Os alemães estão acostumados a trabalhar cerca de 200 horas a menos que os suíços”, afirmou, ao comparar a Alemanha com outros países europeus.

Merz também defendeu a diminuição da burocracia e do excesso de regulamentações na Europa, apontando esses fatores como entraves ao crescimento econômico e à competitividade das empresas do bloco.

As declarações do chanceler reforçam a pressão de setores do governo alemão para destravar o acordo com o Mercosul, visto por Berlim como peça-chave na estratégia econômica e comercial da União Europeia.