Gabriela Caputo | 22 de janeiro de 2026 - 08h20

Filme de Grace Passô estreia no Festival de Berlim e amplia presença do Brasil na Berlinale

Nosso Segredo marca estreia da artista na direção de longas e integra mostra dedicada a novos realizadores

FESTIVAL DE BERLIM
Nosso Segredo, de Grace Passô, estreia no Festival de Berlim e integra mostra dedicada a novos cineastas. - (Foto: Divulgação)

Mais um filme brasileiro foi confirmado na 76ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim. Nosso Segredo, primeiro longa-metragem dirigido por Grace Passô, fará sua estreia no evento, conhecido como Berlinale, que acontece entre os dias 12 e 22 de fevereiro, na capital alemã. A produção amplia a já expressiva presença do Brasil na programação deste ano.

O longa foi selecionado para a mostra Perspectives, seção dedicada a cineastas estreantes ou em início de trajetória no formato de longa-metragem. O roteiro parte de uma reescritura de Amores Surdos, primeira peça teatral escrita por Grace Passô, e transporta para o cinema temas recorrentes em sua obra autoral.

Ambientado em Belo Horizonte, Nosso Segredo mergulha nas relações familiares atravessadas pelo luto e pela tentativa de reorganização da vida após uma perda recente. A narrativa acompanha uma família negra que enfrenta o sofrimento de formas distintas, enquanto o filho caçula guarda um segredo que se conecta diretamente às raízes das dores compartilhadas pelo grupo. A partir desse ponto, o filme propõe um caminho de enfrentamento e reconstrução coletiva.

O elenco reúne Robert Frank, Ju Colombo, Efraim Santos, Jéssica Gaspar, Flip, Marisa Revert e Juan Queiroz, além de participações especiais de Mateus Aleluia, Tássia Reis, Gláucia Vandeveld e Nanego Lira. A produção é assinada pelo cineasta Ricardo Alves Jr., em coprodução com Rachel Daisy Ellis, Julia Alves e a Globo Filmes. No Brasil, a distribuição ficará a cargo da Vitrine Filmes.

A estreia de Grace Passô na direção de um longa marca um novo capítulo em uma trajetória já consolidada nas artes cênicas e no cinema. Dramaturga e atriz, ela foi premiada duas vezes como melhor atriz no Festival do Rio, recebeu o Candango no Festival de Brasília e, em 2018, foi eleita melhor atriz no Festival Internacional de Cinema de Turim, na Itália. No teatro, tornou-se a primeira dramaturga negra a conquistar o Prêmio Shell.

No cinema, Grace Passô já atuou em produções como Praça Paris, No Coração do Mundo, Temporada, O Dia que te Conheci, A Fúria, Levante e, mais recentemente, O Filho de Mil Homens.

A presença brasileira no Festival de Berlim em 2026 é ampla e diversa. Também foram selecionados Feito Pipa, dirigido por Allan Deberton e estrelado por Lázaro Ramos; Quatro Meninas, de Karen Suzane; a animação Papaya, de Priscilla Kellen; e o documentário A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai. Esses títulos integram a mostra Generation, voltada a obras com temáticas e protagonistas infantojuvenis.

Na mostra Panorama, o Brasil aparece com Isabel, filme do cineasta Gabe Klinger protagonizado por Marina Person, e Se eu fosse vivo… vivia, de André Novais Oliveira, estrelado pela escritora Conceição Evaristo.

Além disso, o cineasta Karim Aïnouz representa o país na competição principal do festival. Ele disputa o Urso de Ouro com Rosebush Pruning, seu segundo longa-metragem falado em língua inglesa.

A seleção reforça o espaço do cinema brasileiro no cenário internacional e evidencia a diversidade de vozes, estilos e narrativas presentes na produção nacional contemporânea.