Histórias de recomeço mostram por que MS tem menor desemprego de longo prazo
Estado lidera indicador nacional, soma 16 mil vagas formais em um ano e reúne relatos de volta ao trabalho e busca por oportunidade
EMPREGOConseguir um novo emprego muda a rotina e alivia a vida de quem precisa sustentar a família. Em Mato Grosso do Sul, esse recomeço aparece nas histórias de trabalhadores e empresários e também nos números oficiais: o Estado é destaque nacional na geração de vagas e na baixa desocupação de longo prazo.
Mato Grosso do Sul lidera o índice nacional como o estado com menor indicador de desocupação de longo prazo, com 5,5% das pessoas há dois anos ou mais sem trabalho, segundo o Ranking de Competitividade de 2025, da CLP Brasil (Centro de Liderança Pública). De dezembro de 2024 a novembro de 2025, o saldo foi de 16.368 empregos formais, conforme o Painel de Informações do Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego.
Do salão do restaurante ao balcão da ótica - Em Campo Grande, o garçom Eduardo Aguiar foi contratado em outubro do ano passado para trabalhar no restaurante Casablanca Adega e Bistrô. Ele já atuava na área e comemorou a oportunidade.
“É um ramo muito bom para quem está iniciando a carreira. Consegue aprender rápido, é um trabalho corrido, mas que exige um pouco de paciência já que lidar com pessoa nem sempre é fácil. O trabalho aqui está ótimo. Quem deseja entrar sempre aconselho a buscar qualificação e aprender com quem já tem experiência”, afirma.
A vendedora Cintia Cardoso viu o sonho antigo de trabalhar em uma loja específica virar realidade em agosto de 2025, quando foi contratada pela Inel Classic Ótica e Joalheria.
“Sempre tive o desejo de trabalhar aqui, passava na frente, admirava a loja. Acredito muito no poder da palavra, fui profetizando desde abril e meses depois fui chamada”, conta.
Com 15 anos de experiência em vendas, Cintia chegou a empreender com uma loja virtual, mas acabou retornando ao emprego formal. “As coisas apertaram e busquei novo trabalho, estou feliz aqui neste emprego, uma ótima oportunidade”, diz.
Na mesma empresa, Isadora de Paula também foi contratada em agosto de 2025. Com 12 anos de atuação no ramo de ótica, ela reforça a importância da qualificação.
“Já trabalho há 12 anos com ótica e sempre digo que é um bom lugar para trabalhar, mas precisa ter qualificação, por isso sempre digo que é bom buscar capacitação, já que é difícil encontrar profissionais preparados”, afirma.
Na outra ponta, quem empreende faz contas, assume riscos e tenta manter os postos de trabalho. A empresária Leni Fernandes, que atua em diferentes ramos, resume o tamanho da responsabilidade.
“O empresário precisa ter perseverança, acreditar, contar com uma equipe boa e talentosa, saber escolher as pessoas talentosas, porque sozinho não faz nada. Valorizar sua equipe, incentivar e trabalhar junto”, afirma.
Com 80 funcionários, Leni conta que contratou ao longo do ano passado, mas que cada passo exige planejamento e inovação. Para ela, o empresário precisa ter claro o tamanho do negócio e o que quer oferecer ao cliente.
“Deve saber onde pretende chegar e o tamanho que quer ficar, além de trabalhar muito. O empresário hoje trabalha 16 horas por dia. Tem que acreditar, se pensar que vai fechar, é que já fechou. Seguir em frente, ir à luta e ter bons funcionários. Para isto precisa pagar bem”, aconselha.
Recomeços, perdas e busca por uma vaga - Enquanto alguns comemoram a contratação, muita gente ainda está na fase de entrega de currículos. Em janeiro, a movimentação por vagas começou cedo.
Luiz Carlos Laguilhom, de 55 anos, vive hoje de aluguel no bairro Maria Aparecida Pedrossian, em Campo Grande, onde está há cerca de três meses. A trajetória dele é marcada por perdas e recomeços.
Durante 15 anos, Luiz Carlos trabalhou como corretor de imóveis em Balneário Camboriú (SC). Pai de dois filhos, teve a vida virada de cabeça para baixo depois da morte do caçula, de apenas cinco anos. A dor da perda resultou em uma depressão severa, que durou seis anos.
Ele decidiu mudar de cidade em busca de um novo começo. Na Capital sul-mato-grossense, tenta reconstruir a vida profissional e os próprios sonhos. Procurou a Funtrab (Fundação do Trabalho de MS) para disputar uma vaga em Ribas do Rio Pardo. “Tenho experiência de quatro anos como motorista em Santa Catarina, estou com esperança de mudar minha vida”, afirma.
Na mesma unidade, Maria Valdete da Silva busca um emprego como empregada doméstica. Depois de um ano e meio trabalhando sem registro em carteira, foi dispensada e agora tenta uma vaga formal.
“Quero um trabalho registrado, com carteira assinada, para ter meus direitos garantidos. A gente trabalha mais tranquila quando sabe que está tudo certo”, diz.
Com 35 unidades espalhadas por Mato Grosso do Sul, a Funtrab faz a ponte entre quem procura vaga e quem precisa contratar, atuando na intermediação de mão de obra, orientação profissional e encaminhamento para empregos formais.
O Governo do Estado também oferece o aplicativo MS Qualifica, que reúne vagas de emprego, espaço para empresas anunciarem oportunidades e um campo voltado à capacitação, voltado a quem quer se qualificar ou mudar de carreira.
As trajetórias de Eduardo, Cintia, Isadora, Leni, Luiz Carlos e Maria Valdete ajudam a mostrar o que os números não revelam sozinhos: por trás de cada vaga aberta em Mato Grosso do Sul, há histórias de perda, fé, planejamento e esperança de começar de novo.