Polícia mira venda ilegal de camarotes no MorumBis e mira ex-mulher de Casares
Operação cumpre mandados em endereços ligados a ex-dirigentes do São Paulo e a intermediária acusada de negociar lugar da "Sala Presidencial"
CRISE NO CLUBEA Polícia Civil de São Paulo realiza nesta quarta-feira (21) uma operação contra a venda ilegal de camarotes no MorumBis, estádio do São Paulo Futebol Clube. Agentes cumprem quatro mandados de busca e apreensão em endereços ligados a pessoas apontadas como envolvidas em um esquema de comercialização clandestina de ingressos.
Entre os alvos estão Mara Casares, ex-mulher do presidente afastado do clube, Júlio Casares, e Douglas Schwartzmann, diretor adjunto das categorias de base tricolor, ambos atualmente licenciados. Também é alvo Rita de Cassia Adriana Prado, conhecida como Rita Adriana, apontada como responsável pela venda irregular de entradas em um dos camarotes do estádio.
O caso veio à tona em dezembro de 2025, quando o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) foi acionado para investigar a venda ilegal de ingressos em camarote do MorumBis. O espaço, que não é comercializado oficialmente pelo clube, teria sido cedido a uma intermediária, que ingressou na Justiça para cobrar valores que afirma não ter recebido, expondo publicamente o esquema.
O foco das investigações é o camarote 3A, localizado em frente ao gabinete do então presidente Júlio Casares. O local é conhecido como “Sala Presidencial” e não faz parte da lista de espaços comercializados de forma oficial pelo São Paulo em jogos e shows.
Segundo apurações já divulgadas, Mara Casares e Douglas Schwartzmann estariam envolvidos na venda de ingressos desse camarote, em um esquema descrito pelos próprios, em áudio, como “clandestino”.
Em gravações reveladas pelo GE, os dois aparecem conversando com Rita de Cassia Adriana Prado, da empresa The Guardians Entretenimento Ltda., que teria atuado como intermediária na venda dos ingressos e repasse de entradas para terceiros.
Rita Adriana entrou com ação judicial contra Carolina Lima Cassemiro, da empresa Cassemiro Eventos Ltda., alegando que perdeu o controle sobre 60 ingressos para um show da cantora Shakira no MorumBis, que seriam comercializados por R$ 132 mil.
Segundo Rita, ela recebeu apenas R$ 100 mil. Carolina, por sua vez, afirma que pagou o valor combinado, diz ser vítima de calúnia e alega ter tido prejuízos.
Ao levar a disputa para a Justiça, Rita acabou expondo que os ingressos teriam sido gerados de forma “clandestina”, fora dos canais oficiais do clube. A judicialização da cobrança fez o caso chegar ao conhecimento da diretoria são-paulina, abrindo caminho para investigações internas e externas.
Diante desse cenário, de acordo com o áudio divulgado, Mara e Schwartzmann pressionaram Rita para que ela retirasse o processo, na tentativa de evitar que a prática irregular ganhasse maior repercussão.
Mara Casares afirma que os áudios foram tirados de contexto e diz que “não obteve ganho próprio de nenhuma natureza” com o camarote. Já Douglas Schwartzmann nega ter participado de venda, negociação ou comercialização de camarotes ou ingressos. Segundo ele, sua atuação teria sido pontual, apenas para evitar que um problema particular atingisse a imagem do São Paulo.
O escândalo dos camarotes se soma a outra investigação da Polícia Civil sobre um possível esquema de desvio de verba no clube. A soma das denúncias pressionou a diretoria e resultou no afastamento de Júlio Casares, após o Conselho Deliberativo aprovar seu impeachment. A destituição definitiva ainda precisa ser confirmada em assembleia de associados.
As sindicâncias internas foram abertas a partir de solicitação do superintendente do São Paulo, Marcio Carlomagno, também citado em áudios. Ele afirma que teve o nome usado indevidamente.
A Polícia Civil segue com a análise de documentos, mensagens e movimentações financeiras para identificar o alcance da venda irregular de ingressos e a eventual responsabilização criminal dos envolvidos.