Maria Edite Vendas | 20 de janeiro de 2026 - 07h00

Métodos contraceptivos de longa duração são oferecidos de graça pelo SUS em MS

Investimento da SES garante DIU e implante subdérmico na rede pública e ajuda a reduzir gravidez na adolescência no Estado

SAÚDE PÚBLICA
Governo garante e financia a oferta gratuita dos métodos de longa duração, com acesso inicial feito nas Unidades Básicas de Saúde - (Foto: Arquivo SES)

Mulheres que procuram as unidades básicas de saúde em Mato Grosso do Sul já podem contar, de forma contínua e gratuita, com métodos contraceptivos de longa duração oferecidos pelo SUS. Graças a investimento do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES), os chamados LARCs (na sigla em inglês) passaram a integrar a rotina da atenção básica e hoje fazem parte de uma política estruturada de planejamento reprodutivo.

Na prática, o acesso começa na UBS do bairro. É ali, no posto em que a mulher já é atendida, que ela recebe orientação, passa por consulta com a equipe de saúde e inicia o acompanhamento necessário para definir qual método é mais adequado à sua realidade. Entre as opções disponíveis estão o DIU e os implantes subdérmicos, indicados por garantirem proteção por vários anos e exigirem menos intervenções no dia a dia.

O primeiro passo é agendar ou procurar uma consulta na unidade básica em que a mulher já é cadastrada. Nessa etapa, o contato costuma ser feito com enfermeiros e médicos da equipe de saúde da família, que fazem a escuta, tiram dúvidas e explicam o funcionamento dos métodos.

“Durante a consulta, a mulher é orientada, fala sobre o desejo dela em relação ao método e recebe todas as informações: os prós, os contras, como funciona o procedimento e quais documentos são necessários”, explica a enfermeira Francielly Rosiani da Silva, gerente de Saúde da Mulher da SES.

É nesse momento que são detalhados pontos como duração do efeito, possíveis desconfortos, necessidade de retorno para avaliação e cuidados depois da inserção do DIU ou do implante. A lógica é garantir que a escolha seja informada, respeitando a decisão da mulher e reforçando a autonomia sobre o próprio corpo.

Em muitos municípios, a própria unidade básica já está capacitada para fazer o procedimento de inserção, desde que conte com profissionais treinados e estrutura adequada. Nessas situações, a mulher passa por consulta, recebe as orientações e, quando indicado, agenda a inserção ali mesmo, sem precisar sair do bairro.

Onde isso ainda não é possível, as secretarias municipais de Saúde definem unidades de referência para concentrar os procedimentos. A UBS de origem continua sendo o ponto de apoio, faz o encaminhamento e segue acompanhando a paciente depois da inserção.

A orientação da SES é que a mulher procure sempre o posto em que já faz acompanhamento de rotina, onde é visitada por agentes comunitários e onde a equipe conhece sua história, a família e o território. “O ideal é que ela vá ao posto onde já faz acompanhamento, onde recebe a visita do agente comunitário de saúde e onde a equipe já conhece a família e o território. Isso torna o atendimento mais próximo e facilita todo o processo”, reforça Francielly.

Atendimento em unidade básica de saúde em MS; oferta de DIU e implantes de longa duração pelo SUS fortalece o planejamento reprodutivo e a autonomia das mulheres. (Foto: Arquivo SES) 

Se houver necessidade de exames complementares, avaliação especializada ou realização do procedimento em outro ponto da rede, a própria UBS faz o encaminhamento e mantém o vínculo, garantindo a continuidade do cuidado.

Nos últimos anos, a SES estruturou uma estratégia em duas frentes principais: ampliar a oferta de métodos contraceptivos de longa duração e qualificar as equipes da rede pública para trabalhar com esses recursos.

De um lado, houve intensificação da distribuição de DIUs e implantes para os municípios, com foco especialmente na atenção básica. De outro, a secretaria organizou capacitações para profissionais de saúde, preparando enfermeiros, médicos e equipes multiprofissionais para atuar tanto na orientação quanto na inserção segura dos métodos.

Esse trabalho integrado fortalece a atenção primária como porta de entrada do sistema e evita que o planejamento reprodutivo fique restrito a serviços especializados ou a quem pode pagar por atendimento particular. Ao levar o método para perto de onde as mulheres vivem, a política reduz barreiras de acesso e permite que a decisão sobre engravidar ou não seja tomada com mais informação e apoio.

Os LARCs são considerados, em todo o mundo, uma das ferramentas mais eficazes para prevenção de gestações não planejadas. Por terem longa duração e não dependerem da lembrança diária, como acontece com a pílula, ajudam principalmente quem enfrenta jornadas de trabalho extensas, dificuldades de deslocamento ou não consegue manter uma rotina rígida de uso de contraceptivos.

No desenho adotado por Mato Grosso do Sul, esses métodos são oferecidos dentro de uma lógica de cuidado ampliado. Isso significa que a conversa não se limita à técnica do procedimento, mas inclui projetos de vida, desejo de ter filhos agora ou no futuro, histórico de saúde e condições sociais.

Ao mesmo tempo, a SES reforça que a escolha é sempre da mulher. A função da equipe não é impor uma solução, mas apresentar possibilidades, orientar sobre riscos e benefícios e acompanhar de forma respeitosa depois da decisão.

Os resultados dessa política começam a aparecer nas estatísticas. Entre 2022 e 2025, a taxa de gravidez na adolescência em Mato Grosso do Sul caiu de 14,92% para 12,65%. O movimento vai na contramão da tendência nacional e representa a menor taxa registrada em uma década no Estado.

Embora os números envolvam vários fatores, a SES atribui parte dessa melhora à ampliação dos métodos de longa duração, à qualificação das equipes da atenção básica e à oferta de informação sobre direitos sexuais e reprodutivos.

Na prática, quanto maior o acesso a métodos eficazes e a espaços de diálogo na unidade de saúde, maior a chance de adolescentes e jovens evitarem gestações não planejadas e seguirem seus projetos de estudo e trabalho.

Outro componente central da estratégia é o acompanhamento contínuo. Depois da inserção do DIU ou do implante, a mulher não “sai do radar” da unidade. Retornos são agendados, agentes comunitários acompanham possíveis queixas, e a equipe segue disponível para esclarecer dúvidas, avaliar efeitos e, quando a mulher desejar, retirar o método.

Se houver necessidade de atendimento em serviço de maior complexidade, a UBS faz o encaminhamento dentro da própria rede SUS, mantendo o vínculo e a referência. Isso evita que o acesso ao método se transforme em um atendimento pontual e sem continuidade.

Ao articular planejamento reprodutivo com acompanhamento de rotina, a SES busca que o tema da contracepção esteja integrado ao cuidado da saúde da mulher como um todo, e não isolado como um serviço à parte.

O avanço dos LARCs na rede pública também tem impacto direto na redução de desigualdades. Métodos de longa duração costumam ter custo elevado na rede privada, o que exclui justamente as mulheres em situação de maior vulnerabilidade social.

Ao ofertar DIU e implantes gratuitamente pelo SUS, Mato Grosso do Sul garante que a possibilidade de escolher quando engravidar não seja privilégio de quem pode pagar. A política dialoga com a defesa da autonomia, da equidade e da cidadania, princípios que vêm guiando as ações da SES na área de saúde da mulher.

Os números mais recentes, com queda histórica da gravidez na adolescência, indicam que a combinação de acesso ampliado, informação qualificada e presença ativa da atenção básica nos territórios começa a redesenhar a realidade de muitas jovens no Estado. A expectativa da secretaria é manter a expansão da oferta, seguir formando profissionais e fortalecer ainda mais o vínculo entre as mulheres e as unidades de saúde.