Redação O Estado de S. Paulo | 19 de janeiro de 2026 - 17h05

BRB diz ter plano para recompor capital e nega ordem de aporte após caso Banco Master

Banco afirma que não recebeu determinação do BC e diz ter capacidade para enfrentar eventuais prejuízos

SISTEMA FINANCEIRO
Banco de Brasília afirmou ter plano de capital para enfrentar eventuais prejuízos em análise pelo Banco Central. - (Foto: ABrasil)

O Banco de Brasília (BRB), controlado pelo governo do Distrito Federal, afirmou nesta segunda-feira (19) que tem plena capacidade de recompor seu capital caso sejam confirmados “eventuais prejuízos de determinadas operações”. Em nota, a instituição não mencionou diretamente a crise envolvendo o Banco Master, mas ressaltou que dispõe de instrumentos para lidar com cenários adversos.

“Ademais, o BRB destaca que dispõe de plano de capital estruturado para cenários de estresse, o qual não foi acionado até o momento”, informou o banco no comunicado.

A manifestação ocorre após a Coluna do Estadão revelar que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, cobrou prazos para que o governo do Distrito Federal avaliasse um possível aporte de até R$ 4 bilhões no banco estatal. Haddad também preside o Conselho Monetário Nacional (CMN) e acompanha as discussões sobre o tema no Banco Central.

Segundo relatos, em ao menos uma conversa recente, o ministro teria sido enfático quanto à necessidade de definir um período para que o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), se posicionasse sobre um eventual socorro financeiro ao BRB.

Após a publicação da reportagem, o Ministério da Fazenda afirmou que Haddad não tratou diretamente do tema com o governo do DF nem com a direção do BRB. A pasta, no entanto, não comentou as discussões mantidas com o Banco Central a respeito da situação da instituição.

No comunicado divulgado nesta segunda-feira, o BRB também afirmou que não recebeu qualquer comunicação formal do Banco Central ou de outro órgão regulador determinando aporte de capital. “O banco não recebeu comunicação ou determinação específica de aporte de capital por parte do Banco Central do Brasil, ou qualquer outro órgão”, destacou.

Apesar disso, na semana passada, a própria instituição admitiu publicamente a possibilidade de aporte do controlador. À época, o BRB afirmou que, caso seja confirmado prejuízo, já possui um plano de capital pronto, que prevê desde aporte direto do governo do Distrito Federal até outros instrumentos para recomposição patrimonial.

A situação ganhou maior repercussão após declarações feitas no fim do ano passado no Supremo Tribunal Federal (STF). Em acareação, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, afirmou que o banco não conseguiu recuperar cerca de R$ 2 bilhões aportados no Banco Master antes de o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial da instituição privada, em novembro. O BRB havia feito uma oferta para comprar parte do Master em março do ano passado, mas o negócio foi vetado pelo BC em setembro.

Atualmente, segundo o banco estatal, o valor exato do prejuízo ainda está sendo apurado. O BRB informou que o montante está sob análise do Banco Central e também de uma auditoria independente.

“O BRB informa que trabalha diariamente em conjunto com o Banco Central e esclarece que todas as operações mencionadas no âmbito da Operação Compliance Zero que possam estar relacionadas ao banco estão incluídas na investigação forense independente conduzida pelo escritório Machado Meyer, com suporte técnico da Kroll”, afirmou a instituição.