Andreza de Oliveira | 20 de janeiro de 2026 - 08h05

Pediatras alertam para riscos de piscinas infláveis

Sociedade Brasileira de Pediatria aponta perigo de afogamento mesmo com pouca água e orienta cuidados

ALERTA MÉDICO
Mesmo piscinas rasas podem representar risco de afogamento para crianças pequenas - Foto: bearfotos/freepik

O uso de piscinas infláveis por crianças pequenas exige atenção redobrada dos responsáveis. O alerta é da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), que chama a atenção para os riscos associados a esse tipo de equipamento, especialmente para crianças com menos de cinco anos. Segundo a entidade, mesmo piscinas rasas podem resultar em afogamentos, quedas e outros acidentes graves.

De acordo com a SBP, volumes entre três e cinco centímetros de água já são suficientes para provocar afogamento em bebês e crianças pequenas. Por esse motivo, a supervisão de um adulto deve ser constante durante qualquer atividade aquática, independentemente da profundidade ou do tamanho da piscina.

Os dados nacionais ajudam a dimensionar o problema. Informações da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa) indicam que 16 pessoas morrem afogadas todos os dias no Brasil, o equivalente a uma morte a cada 90 minutos. Entre crianças, a média é de quatro óbitos diários causados por afogamento.

O risco aumenta durante o verão e o período de férias escolares, quando o uso de piscinas e atividades aquáticas se torna mais frequente. No litoral de São Paulo, por exemplo, foram registradas 30 mortes por afogamento entre os dias 1º de dezembro e 11 de janeiro, segundo dados do Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar).

Para reduzir os riscos, a Sociedade Brasileira de Pediatria orienta que o adulto responsável permaneça a uma distância máxima de um braço da criança enquanto ela estiver na água. A entidade também desaconselha o consumo de bebidas alcoólicas durante a supervisão, já que isso compromete a atenção e o tempo de resposta em situações de emergência.

Outro ponto destacado é o uso de boias e brinquedos infláveis. Apesar de populares, esses itens não devem ser considerados equipamentos de segurança, pois podem virar, esvaziar ou permitir que a criança escorregue. Quando indicado, o único dispositivo recomendado é o colete salva-vidas homologado, sempre com acompanhamento direto de um adulto.

O ambiente ao redor da piscina também merece cuidados. A SBP recomenda piso antiderrapante, ausência de objetos pontiagudos e a proibição de comportamentos de risco, como correr próximo à borda, empurrões, mergulhos de cabeça ou disputas para ver quem permanece mais tempo submerso.

Além da segurança, os pediatras destacam a importância da proteção contra o sol e do cuidado com a saúde. O uso de protetor solar, chapéus ou bonés, camisetas com proteção UV, hidratação frequente e pausas nas brincadeiras ajudam a evitar problemas como queimaduras, desidratação e hipotermia.

A entidade também orienta sobre a higiene e o armazenamento das piscinas infláveis. Quando não estiverem em uso, elas devem ser esvaziadas, secas e guardadas fora do alcance das crianças. Caso permaneçam montadas, a recomendação é instalar cercas de proteção, manter o tratamento adequado da água e realizar manutenção periódica.