Geovanna Hora | 19 de janeiro de 2026 - 11h30

Quem foi Raul Jungmann, ex-ministro que morreu após anos de luta contra câncer

Ex-titular da Defesa e da Segurança Pública lutava contra câncer de pâncreas e presidia o Ibram desde 2022

POLÍTICA
Raul Jungmann, ex-ministro de FHC e Michel Temer e diretor-presidente do Ibram, morreu aos 73 anos em Brasília vítima de câncer de pâncreas. - (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O ex-ministro Raul Jungmann morreu neste sábado (18), aos 73 anos, em decorrência de um câncer no pâncreas. Ele estava internado no Hospital DF Star, em Brasília, e enfrentava a doença havia anos.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), do qual era diretor-presidente, o velório será restrito a familiares e amigos próximos, em respeito a um desejo do próprio Jungmann.

Nascido em Recife (PE) em 3 de abril de 1952, Jungmann iniciou o curso de Psicologia na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) em 1976, mas não chegou a concluí-lo. Durante a ditadura militar, atuou como militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), então na clandestinidade. Nos anos 1970, filiou-se ao MDB, partido de oposição ao regime, e participou do movimento Diretas Já na década seguinte.

Nos anos 1990, ajudou a fundar o Partido Popular Socialista (PPS), legenda em que permaneceu por mais de 20 anos, entre idas e vindas. Em 2019, o PPS passou a se chamar Cidadania.

A trajetória política do pernambucano inclui uma série de cargos públicos. Ele foi secretário de Planejamento de Pernambuco entre 1990 e 1991, presidiu o Ibama de 1995 a 1996 e o Incra de 1996 a 1999. No governo Fernando Henrique Cardoso, assumiu em 1996 o cargo de ministro extraordinário de Política Fundiária, que depois se transformou no Ministério do Desenvolvimento Agrário, comandado por ele até 2002.

Mais de uma década depois, Jungmann voltou ao primeiro escalão como ministro da Defesa no governo Michel Temer, em 2016. Em 2018, passou a chefiar o recém-criado Ministério da Segurança Pública, do qual foi o único titular antes de a pasta ser incorporada ao Ministério da Justiça no início do governo seguinte.

Ele também exerceu três mandatos como deputado federal: entre 2003 e 2006 pelo PMDB; de 2007 a 2010 pelo PPS; e novamente de 2015 a 2018 pelo PPS. Desde 2022, estava na direção do Ibram.

No ano passado, Jungmann integrou o grupo de nove ex-ministros da Justiça que assinou um manifesto em apoio ao Supremo Tribunal Federal (STF) e aos ministros que haviam sido alvo de sanções do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que determinou o cancelamento de vistos americanos.