ZCAS traz chuva extrema e grande risco de enchentes no Sudeste e Centro-Oeste
Fenômeno deve atuar até domingo e pode provocar entre 300 mm e 500 mm de chuva em áreas de Minas, Espírito Santo, Rio e Goiás
TEMPO SEVEROA semana que começa neste domingo (18) será de atenção máxima em boa parte do País. A MetSul Meteorologia emitiu alerta de “grande perigo” para o Sudeste e o Centro-Oeste por causa da segunda atuação da ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul) em 2026, com previsão de chuva extrema até o próximo domingo (25).
Os modelos indicam que, em algumas áreas, os acumulados podem ficar entre 300 mm e 500 mm em poucos dias – volumes muito acima da média de janeiro e suficientes para provocar enchentes, transbordamento de rios e deslizamentos de terra.
Segundo a MetSul, o novo episódio de ZCAS começa com o avanço de uma frente fria pela costa do Sul do Brasil, associada a uma massa de ar mais frio. Ao alcançar a região central do País, esse sistema passa a canalizar a umidade da Amazônia em direção ao Sudeste, formando um corredor quase contínuo de nuvens e chuva – os chamados “rios aéreos”.
Uma área de baixa pressão no Atlântico, que depois dará origem a um ciclone longe da costa brasileira, deve reforçar esse fluxo de umidade e prolongar os dias de instabilidade, mantendo a chuva forte e persistente.
De acordo com a análise da MetSul, os maiores acumulados de chuva são esperados em:
- Minas Gerais
- Espírito Santo
- Rio de Janeiro
- Goiás
No Sudeste, o alerta é mais grave para o Norte fluminense, o interior mineiro e áreas do Espírito Santo, onde a soma de chuva ao longo da semana pode atingir níveis extremos.
Entre as capitais, a recomendação de maior atenção vale para:
- Goiânia
- Belo Horizonte
- Vitória
- Brasília e Rio de Janeiro também podem registrar episódios de chuva forte, mas com tendência de menor persistência em relação às áreas mais diretamente sob o eixo da ZCAS.
- São Paulo fica fora da faixa mais crítica
A MetSul ressalta que o eixo principal da ZCAS ficará mais ao norte, o que deve deixar a cidade de São Paulo e grande parte do Estado fora da área de maior risco.
Com isso, não são esperados volumes elevados capazes de aliviar o quadro dos mananciais, como o Sistema Cantareira, ainda pressionado pela crise hídrica. Em meio à estiagem, a Sabesp vem reduzindo a pressão da rede durante a noite, medida que fez quase dobrar o número de reclamações sobre abastecimento de água, segundo já noticiado pelo Estadão.
Os cálculos de diferentes modelos meteorológicos apontam que:
- muitas cidades devem registrar entre 100 mm e 200 mm de chuva em poucos dias;
- em pontos isolados, os acumulados podem chegar a 300 mm a 500 mm ao longo da semana.
A MetSul frisa que esses valores estão muito acima da média climatológica de janeiro, o que eleva significativamente o risco de transtornos graves.
Com chuva forte e persistente, o cenário traçado pela MetSul é de:
- alagamentos urbanos rápidos, especialmente em áreas com drenagem deficiente;
- transbordamento de rios e córregos, com possibilidade de enchentes;
- deslizamentos de encostas, sobretudo em regiões montanhosas e ocupações em áreas de risco.
A situação é considerada especialmente delicada em Minas Gerais, onde o relevo favorece deslizamentos em episódios de chuva intensa e contínua.
A ZCAS é um fenômeno típico dos meses mais quentes, entre novembro e março, e pode se manter ativa por vários dias seguidos. Episódios prolongados como o previsto para esta semana estão entre os principais responsáveis por enchentes históricas no Brasil.
Por isso, a orientação da MetSul é que a população acompanhe diariamente as atualizações de previsão do tempo e siga as recomendações das Defesas Civis municipais e estaduais, sobretudo em áreas já conhecidas por alagamentos e deslizamentos.
Evitar áreas de risco, não tentar atravessar ruas ou pontes alagadas, ter rotas alternativas planejadas e manter atenção constante a avisos oficiais são atitudes fundamentais para reduzir danos em uma semana marcada por chuva extrema.