Iury de Oliveira | 18 de janeiro de 2026 - 09h30

Zeca diz que Terra Indígena Ñande Ru Marangatu está abandonada pelo governo

Deputado visita comunidade em Antônio João, ouve denúncias de falta de água, moradia e saúde e promete levar caso a ministérios em Brasília

POLÍTICA INDÍGENA
Zeca do PT se reúne com lideranças da Terra Indígena Ñande Ru Marangatu, em Antônio João, e denuncia abandono da comunidade por órgãos federais. - (Foto: Lucas Caxito)

Atendendo a um pedido de lideranças da Terra Indígena Ñande Ru Marangatu, o deputado estadual e ex-governador Zeca do PT esteve na comunidade neste sábado (17), em Antônio João, para ver de perto as condições de vida das famílias indígenas. A área, comprada recentemente pelo governo do presidente Lula após mais de 25 anos de conflito, ainda não recebeu a estrutura mínima prometida, segundo o parlamentar.

Durante a visita, Zeca relatou ter encontrado um cenário de abandono e ausência de políticas públicas básicas na Terra Indígena.

“Encontrei uma comunidade sem nenhuma assistência do Ministério dos Povos Indígenas, da Funai e da Sesai... Sem água, sem casa, sem medicamento, totalmente abandonados. Gravei tudo e estou levando a Brasília para dar conhecimento ao Ministério do Desenvolvimento Social e à Casa Civil da Presidência da República”, afirmou o deputado.

De acordo com ele, as imagens e relatos colhidos na viagem serão usados para cobrar providências do governo federal, com foco em estrutura de moradia, acesso à água e atendimento em saúde.

Zeca direcionou críticas duras ao Ministério dos Povos Indígenas (MPI), especialmente à atuação de sua cúpula em Mato Grosso do Sul.

Segundo o deputado, enquanto a comunidade de Ñande Ru Marangatu segue sem apoio, integrantes da pasta estariam priorizando agendas políticas em outras aldeias do Estado.

“Causa enorme estranhamento que o secretário-executivo do MPI, que vive aqui no estado fazendo campanha política e prometendo dinheiro para muitos, sequer tem visitado a comunidade da Ñande Ru Marangatu”, disse o parlamentar.

Para Zeca, a ausência do ministério na área recém-adquirida pelo governo federal contradiz o discurso de atenção prioritária aos povos indígenas.

As lideranças ouvidas pelo deputado relataram que a principal fonte de renda da comunidade vem de uma plantação de soja na própria terra indígena.

A produção, porém, ocorre na forma de arrendamento, modelo em que os indígenas recebem apenas uma parte do valor gerado. Segundo os relatos, esse retorno financeiro é considerado baixo e insuficiente para garantir melhorias concretas na infraestrutura local.

Sem apoio dos órgãos federais citados por Zeca e com renda limitada, a comunidade segue sem acesso adequado a moradia, água potável e medicamentos, o que agrava a sensação de abandono.

A Terra Indígena Ñande Ru Marangatu é fruto de uma disputa territorial que se arrastou por cerca de 25 anos. A compra da área pelo governo federal foi vista como um passo importante para encerrar o conflito em Antônio João, mas, na avaliação do deputado, a etapa de garantir condições dignas de permanência das famílias ainda não começou de forma efetiva.

Ao final da visita, Zeca reforçou que pretende usar seu mandato para pressionar Brasília por ações concretas na comunidade, envolvendo o Ministério do Desenvolvimento Social, a Casa Civil, o MPI, a Funai e a Sesai.

Para ele, a prioridade agora é fazer com que a terra conquistada depois de décadas de luta se transforme, de fato, em garantia de direitos básicos às famílias indígenas de Ñande Ru Marangatu.