Marianna Gualter, Pepita Ortega e Isadora Duarte | 17 de janeiro de 2026 - 16h45

António Costa diz que pacto Mercosul-UE envia mensagem global contra uso do comércio como arma

Presidente do Conselho Europeu afirma que acordo aposta na cooperação e chega em momento oportuno

ACORDO INTERNACIONAL
Presidente do Conselho Europeu, António Costa, defende comércio baseado em regras durante assinatura do acordo Mercosul-UE. - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou neste sábado (17) que a assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia envia uma “mensagem clara ao mundo” em defesa do comércio livre baseado em regras, no multilateralismo e no direito internacional como fundamentos das relações entre países e regiões. A declaração foi feita durante a cerimônia de assinatura do tratado, realizada no Paraguai.

Segundo Costa, o acordo — que cria a maior área de livre-comércio do mundo — representa uma escolha política deliberada dos dois blocos. “É a decisão pela abertura e pela cooperação frente ao isolamento e ao uso do comércio como arma geopolítica”, afirmou, ao destacar o significado do pacto em um cenário internacional marcado por disputas e tensões.

Na avaliação do presidente do Conselho Europeu, embora o acordo tenha levado décadas para ser concluído, ele chega em um momento particularmente adequado. “Pode chegar tarde, mas chega no momento mais oportuno”, disse, ao ressaltar que a intenção é criar “esferas de prosperidade compartilhada” entre a Europa e a América do Sul.

Costa enfatizou que o objetivo do acordo não é exercer dominação ou impor condições, mas fortalecer laços entre cidadãos e empresas. “Não pretendemos nem dominar nem impor, mas reforçar vínculos para criar riqueza de forma sustentável”, afirmou. Segundo ele, a proposta é construir redes de comércio baseadas em regras e confiança, e não gerar dependência econômica.

Em tom crítico ao ambiente internacional atual, António Costa afirmou que, enquanto alguns países erguem barreiras comerciais ou violam normas de competitividade leal, Mercosul e União Europeia optam por “fazer pontes e pactuar normas”. Para ele, esse posicionamento diferencia o acordo no contexto global.

O presidente do Conselho Europeu também destacou o papel do tratado diante de um cenário geopolítico instável. Segundo Costa, o acordo ajuda os blocos a avançarem em um “entorno cada vez mais turbulento” sem abrir mão de valores fundamentais. “Juntos somos mais fortes para enfrentar desafios”, concluiu.

As declarações reforçam o tom político da assinatura do acordo Mercosul-União Europeia, apresentada por líderes dos dois blocos não apenas como um avanço comercial, mas como um posicionamento estratégico em defesa do multilateralismo.