Corinthians prepara troca de gestora do fundo da Arena após liquidação da Reag
Clube afirma que já articulava substituição desde agosto e diz ter seguido critérios de compliance e governança
ESPORTEO Corinthians informou nesta sexta-feira (16) que a gestora Reag, liquidada pelo Banco Central após ser alvo de investigações, será substituída na administração do Fundo Arena, responsável pela gestão contábil da Neo Química Arena, em Itaquera. Segundo o clube, o processo de troca vinha sendo articulado desde agosto de 2025, antes mesmo da liquidação da empresa, por conta de “riscos regulatórios relacionados à atuação da administradora”.
A Reag havia sido incluída na estrutura do fundo em 2022, durante a gestão do então presidente Duílio Monteiro Alves, como parte de um acordo firmado entre o Corinthians e a Caixa Econômica Federal. A gestora era responsável por administrar o fluxo de repasses das receitas do estádio para o banco estatal, no âmbito da dívida da Arena, atualmente estimada em cerca de R$ 655 milhões.
Em nota oficial, o clube explicou que o rompimento não ocorreu antes por depender de trâmites burocráticos junto à Caixa. Após a conclusão de um processo descrito como “rigoroso de compliance e diligência”, a diretoria alvinegra apresentou ao banco uma lista de potenciais novos administradores e gestores do fundo. Os nomes não foram divulgados.
“Recentemente, a Caixa Econômica Federal concluiu a análise dos nomes apresentados pelo Clube. Com a finalização dessa fase, o Sport Club Corinthians Paulista formalizará junto à Reag a solicitação de transferência da administração para o novo gestor administrativo, bem como para o novo gestor dos fundos operacionais”, informou o Corinthians em trecho do comunicado.
O clube acrescentou que a substituição ainda depende de aprovação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). “Efetivada a transferência e após a necessária aprovação da CVM, os trâmites regulatórios serão integralmente concluídos”, destacou a nota, reforçando o compromisso com a boa governança e os interesses institucionais do clube e da Arena.
A situação ganhou novos contornos no início do mês. No dia 6 de janeiro, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) solicitou à Polícia Federal (PF) a abertura de inquérito para apurar a contratação da Reag na administração do fundo da Neo Química Arena. O pedido foi feito pelo promotor Cássio Roberto Conserino, que também conduz investigações envolvendo o uso indevido de cartões corporativos por ex-dirigentes do Corinthians.
A Reag passou a ser investigada no âmbito da Operação Carbono Oculto, do Ministério Público Federal, que apura suspeitas de criação de fundos de investimento e aquisição de empresas para ocultar patrimônio do Primeiro Comando da Capital (PCC) — acusações que a empresa nega. Posteriormente, a gestora também teve o nome associado a investigações sobre fraudes envolvendo o Banco Master, o que culminou na liquidação decretada pelo Banco Central.
No ofício encaminhado à Superintendência da PF, o promotor argumentou que a gestora passou a administrar fluxos financeiros de alto valor e baixa rastreabilidade ao ser inserida na gestão do fundo da Arena. Para o MP, isso justificaria a apuração sobre a regularidade da contratação e da atuação da empresa após a renegociação do contrato com a Caixa.
“A concentração de vultosos fluxos financeiros em fundo gerido por empresa sob investigação criminal configura elemento indiciário suficiente e justa causa para investigação formal”, escreveu Conserino, ao solicitar a apuração de eventual uso da estrutura financeira para ocultação ou dissimulação de recursos ilícitos.