Luís Eduardo Leal | 16 de janeiro de 2026 - 19h00

Ibovespa recua após recordes, mas fecha semana em alta com apoio de Petrobras e Vale

Realização de lucros marca pregão, enquanto cenário externo e dados econômicos seguem no radar

ECONOMIA
Após atingir níveis recordes, Ibovespa recua em realização de lucros, mas encerra a semana em alta sustentado por Petrobras e Vale. - (Foto: B3/Divulgação)

Após duas sessões consecutivas em níveis recordes, o Ibovespa passou por um movimento de realização de lucros nesta sexta-feira (16), encerrando o pregão em queda de 0,46%, aos 164.799,98 pontos. Apesar do recuo no dia, o principal índice da B3 preservou alta semanal de 0,88%, sucedendo o ganho de 1,76% registrado na virada de 2025 para 2026. No acumulado de janeiro, o índice avança 2,28%.

Na quinta-feira, o Ibovespa havia atingido 166 mil pontos no intradia, patamar inédito. Nesta sexta, oscilou entre 164.099,89 e 165.871,66 pontos, com abertura aos 165.556,54. O giro financeiro foi elevado, somando R$ 34,1 bilhões, influenciado pelo vencimento de opções sobre ações.

A queda do Ibovespa foi parcialmente amortecida pela recuperação do petróleo nos mercados internacionais. Após despencar cerca de 4% na quinta-feira, a commodity subiu mais de 1% ao longo desta sexta-feira em Londres e Nova York, o que deu suporte às ações da Petrobras.

Os papéis da estatal fecharam com alta de 0,27% nas ações ordinárias (ON) e 0,79% nas preferenciais (PN), embora tenham perdido força perto do encerramento. O desempenho também foi influenciado pela prévia do relatório de produção, divulgada na noite anterior, que indicou resultados acima da meta anual.

Mesmo assim, outras blue chips pressionaram o índice, especialmente no setor financeiro. O Itaú PN, por exemplo, recuou 0,83%. Já a Vale ON passou a maior parte do dia em baixa, mas reagiu no fim do pregão e fechou praticamente estável, com leve alta de 0,04%, a R$ 78,88.

Na ponta positiva do índice ficaram Copasa (+2,51%), Cosan (+2,40%) e Assaí (+2,19%). No campo negativo, as maiores quedas foram de Vamos (-9,09%), Braskem (-5,84%) e Direcional (-5,70%).

O mercado internacional foi novamente impactado pela volatilidade do petróleo, influenciada pelas tensões políticas no Irã. A instabilidade no país, marcada por repressão violenta a protestos e mais de 2,4 mil mortos, elevou o risco geopolítico nas últimas semanas.

No entanto, declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando uma postura mais cautelosa sobre uma possível intervenção militar americana, reduziram os prêmios de risco. Segundo Matthew Ryan, da Ebury, Trump adotou uma estratégia de “esperar para observar”, o que diminuiu o temor de interrupções no fornecimento de petróleo pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o mercado global de energia.

Outro fator relevante veio do próprio Trump, ao sinalizar que pode manter Kevin Hassett como diretor do Conselho Econômico Nacional. A declaração reduziu as apostas de que Hassett substituiria Jerome Powell no comando do Federal Reserve, em maio. Com isso, os mercados passaram a ver Kevin Warsh como favorito para o cargo, cenário considerado mais previsível pelos investidores.

Em Nova York, os principais índices fecharam com variações discretas: Dow Jones (-0,17%), S&P 500 (-0,06%) e Nasdaq (-0,06%).

Na avaliação de analistas, o movimento desta sexta-feira foi uma pausa técnica, após a forte sequência de altas. “Acabou prevalecendo uma realização de lucros natural”, observa Matheus Spiess, da Empiricus Research, destacando que Petrobras e Vale lideraram os ganhos da semana. A estatal acumulou alta de 6,52% (ON) e 5,74% (PN), enquanto a Vale subiu 5,57% no período.

Para Bruna Sene, analista da Rico, o Ibovespa repete em 2026 o padrão visto no ano passado, com novos recordes impulsionados pelo fluxo estrangeiro. “A diferença está nos protagonistas: ações como Petrobras e Vale, que demoraram a reagir em 2025, agora puxam o índice”, afirma.

Apesar do bom desempenho recente, o otimismo do mercado para a próxima semana diminuiu. No Termômetro Broadcast Bolsa, a parcela dos profissionais que esperam alta do Ibovespa caiu de 60% para 55,56%, enquanto as apostas em queda subiram de 20% para 33,13%.

No cenário doméstico, a divulgação do IBC-Br, prévia do PIB calculada pelo Banco Central, trouxe surpresa positiva, com alta de 0,68%, acima das expectativas. Para economistas, o dado reforça a percepção de uma economia ainda aquecida, fator que pode influenciar as próximas decisões do Copom sobre juros.