Torcedores protestam no MorumBis horas antes de votação do impeachment de Julio Casares
Movimento ganhou força no entorno do estádio e teve reforço policial para acompanhar a reunião do Conselho
CRISE NO MORUMBISA mobilização em torno da votação do impeachment do presidente Julio Casares, marcada para a noite desta sexta-feira (16), extrapolou os muros do Conselho Deliberativo do São Paulo e chegou ao entorno do estádio do MorumBis. Horas antes da reunião que pode decidir o afastamento do mandatário, torcedores se reuniram em protesto, em um movimento que superou, em volume, a movimentação registrada no dia anterior, quando o time voltou a atuar em casa após três meses.
A concentração ocorreu principalmente no portão 17 do estádio, onde cerca de 60 torcedores se reuniram aproximadamente uma hora antes do início da votação. Entre os manifestantes estavam integrantes da Torcida Independente, uma das principais organizadas do clube.
Diante do clima de tensão, o esquema de segurança foi ampliado. Cerca de 90 policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar foram posicionados no entorno do MorumBis, além de agentes da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana (GCM), que acompanharam a movimentação dos torcedores ao longo da tarde.
Apesar da presença ostensiva das forças de segurança, o protesto transcorreu de forma pacífica.
As manifestações não se limitaram ao pedido de afastamento de Julio Casares. Faixas e cartazes também traziam críticas a Mara Casares e Douglas Schwartzman, diretores licenciados citados em investigações envolvendo uso irregular de camarotes no MorumBis. Ambos negam qualquer irregularidade.
Outro ponto levantado pelos torcedores foi o modelo de escolha do presidente do clube. Uma das faixas pedia “Diretas Já”, em referência ao sistema eleitoral indireto do São Paulo, no qual apenas conselheiros eleitos votam para definir o presidente. A reivindicação é antiga entre setores da torcida que defendem maior participação dos sócios no processo.
Também apareceu entre as pautas a separação entre o futebol profissional e o clube social, tema que, curiosamente, já foi defendido publicamente pelo próprio Julio Casares em outros momentos de sua gestão.
Mesmo com a chuva que caiu sobre a capital paulista por volta das 17h30, os torcedores permaneceram no local. Para reforçar o simbolismo do protesto, caixões funerários foram colocados ao lado das faixas, em alusão ao que os manifestantes classificam como um possível fim da gestão Casares à frente do São Paulo.