Carlos Guilherme | 16 de janeiro de 2026 - 16h40

Breno só tem 2 anos e precisa de um fígado para continuar crescendo

O pequeno enfrenta câncer, faz quimio de 24h e espera um doador de fígado para realizar transplante em SP

PEQUENO GUERREIRO
O sonho de Bruna é simples e gigante ao mesmo tempo: ver o Breno crescer, correr, ir pra escola e ter uma vida normal como qualquer criança. - (Foto: Arquivo pessoal)

Aos 2 anos, o pequeno Breno, enfrenta um câncer e precisa com urgência de um doador de fígado compatível para realizar um transplante em São Paulo (SP), após meses de quimioterapia intensa, internações e viagens entre Mato Grosso do Sul e a capital paulista.

Ao lado dele está a mãe, Bruna De Lamare, que hoje transformou a própria rotina para salvar a vida do filho e encontrar alguém que possa doar parte do fígado e dar a Breno a chance de continuar crescendo.

Bruna chama Breno de “uma criança maravilhosa” e conta que, antes do diagnóstico, ele era um menino mais parado, apegado ao colo da mãe. “No dia que ele recebeu o diagnóstico, ele já começou a correr, é uma coisa que ele não fazia. Ele era quietinho, andava segurando, só queria meu colo, chorava à toa”, lembra.

Ver o filho, tão pequeno, reagindo e ganhando movimento justamente no dia em que recebeu a notícia do câncer virou um ponto de virada para a família. “Isso nos deu força. A gente via nele que ia ficar tudo bem. Ele sempre nos mostrou que ele é muito forte, graças a Deus”, diz a mãe. Breno completou 2 anos em 21 de maio do ano passado. Pouco antes disso, veio a descoberta do tumor no fígado e a corrida por atendimento, exames e tratamento.

A mãe do pequeno recorda o momento em que percebeu que algo não ia bem com o filho. A família levava uma vida considerada normal, com rotina de creche, quando um inchaço chamou a atenção. “Apareceu esse tumor e em questão de 10 dias já agravou com febre, infecção e anemia. Começamos a notar tudo com um inchaço", recorda.

A partir daí, a vida de Breno e da família girou em torno de consultas, exames e internações. Em 29 de março do ano passado, ele passou por uma ultrassom, quando os médicos falaram pela primeira vez em tumor no fígado. Um mês depois o diagnóstico foi confirmado. 

Quimioterapia de 24h e internações longas - O tratamento começou praticamente no dia seguinte ao diagnóstico. A quimioterapia, segundo a mãe, é agressiva e exige internação contínua. 

Breno, 2 anos, precisa de doador de fígado O+ para transplante em SP. Mãe faz apelo e segue em campanha por um compatível. - (Foto: Arquivo pessoal) 

Ele iniciou o primeiro ciclo no dia 30 e terminou no dia 1º. No dia 2, teve alta. Cada ciclo foi um desafio para um menino tão pequeno, que ainda não sabe explicar com palavras o que sente. Entre abril, maio, junho e julho, o pequeno fez os ciclos de quimio. Ao final desse período, uma tomografia avaliou o impacto do tratamento no tumor. Houve redução, mas a história estava longe de acabar.

A tomografia feita no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS) mostrou que, tecnicamente, seria possível operar. Mas faltava equipe especializada para a idade e o tipo de câncer de Breno. “O médico daqui explicou que aqui não há profissional qualificado para essa idade, para esse tipo de câncer”, lembra.

A família então seguiu para SP, em busca de tratamento em centros de referência. No Grupo de Apoio ao Adolescente e Criança com Câncer (Graacc), ele passou por novos exames, como estenografia e tomografia mais específica. Na consulta de 19 de agosto de 2025 e, depois, com exames do dia 25 de agosto, veio a notícia: a cirurgia convencional não seria possível.

“Eles deram o diagnóstico. Ele precisava ir para o transplante, não conseguiria ressecar o tumor, porque ele tem mais de um tumor e um deles está em cima da veia aorta”, explica. A partir daí, o transplante de fígado virou a única opção.

De volta a Campo Grande, Breno seguiu com novas sessões de quimioterapia em setembro. Em paralelo, os médicos articularam atendimento no Hospital Menino Jesus em SP, que é parceiro do Sírio-Libanês. Em dezembro, a família esteve novamente em SP. Breno fez vários exames de sangue e imagem. O marcador tumoral - a alfa-fetoproteína, usada nesse tipo de câncer - ainda estava muito elevado.

“Diminuiu o tumor, mas essas células cancerígenas no sangue ainda estão ativas, então não consegue realizar a cirurgia”, explica.

Sem a queda do marcador, o transplante não pode ser feito. A saída, então, foi continuar com a quimioterapia: outubro, novembro e dezembro foram mais ciclos de 24h. Recentemente, ele terminou mais uma internação para quimio e aguarda alta.

Antes de se dedicar integralmente ao filho, Bruna trabalhava como freelancer e precisou interromper tudo após ele passar pela primeira cirurgia.  Para dar conta da rotina de hospital, a mãe de Bruna se mudou para perto da filha e do neto. Desde então, as duas se revezam nos cuidados: uma fica durante o dia, a outra assume à noite. Em meio a tudo isso, Bruna também precisou lidar com o abandono do pai da criança, que deixou o convívio durante o tratamento. 

Urgência para encontrar um doador - Enquanto o tratamento tenta controlar a doença, a família corre contra o tempo para encontrar um doador de fígado compatível.

Quanto mais gente souber da história de Breno, mais chances a família tem de encontrar alguém compatível que possa doar parte do fígado - (Foto: Arquivo pessoal)

Agora, a família tem uma nova consulta marcada para 26 de janeiro, quando a equipe de transplante fará novos exames e avaliará de novo o marcador tumoral. Até lá, Bruna precisa chegar com nomes de possíveis doadores e, no melhor cenário, com o nome de um doador já decidido.

Podem ser avaliadas como possíveis doadoras do Breno pessoas com o tipo sanguíneo de O+, com idade entre 18 e 50 anos, que não façam uso de medicamentos contínuos, incluindo anticoncepcional, não consumam bebida alcoólica, não usem drogas e estejam 100% saudáveis, dentro do índice de massa corporal adequado.

Em meio a tantos relatórios médicos, viagens e internações, a mãe do pequeno guerreiro projeta um futuro com ele. O maior deles é vê-lo crescer com saúde. 

"Imagino uma rotina comum, como a de tantas outras famílias com crianças pequenas. Levar ele para a escola, buscar na saída, preparar comida em casa, passear, ver Breno brincando com outras crianças sem precisar se preocupar com a imunidade fragilizada. O meu desejo é que ele possa ter uma vida normal, longe das restrições impostas pelo câncer e pelo transplante que ainda está por vir", explica.

Enquanto aguarda a próxima consulta em SP e torce pela queda do marcador tumoral, Bruna segue organizando campanhas, recebendo contatos de possíveis doadores e encaminhando cada nome para a equipe de transplante. Entre exames, viagens e formulários, ela mantém a fé de que o doador compatível vai aparecer e de que o futuro que imagina para Breno poderá, acontecer fora do ambiente hospitalar. "Quero que ele seja uma criança e, mais tarde, um adulto feliz". E será.

Se você acha que pode ser um possível doador, ou conhece alguém que se encaixa nessas características, pode entrar em contato com Bruna De Lamare pelo telefone (67) 99166-2155.