Caroline Aragaki | 15 de janeiro de 2026 - 19h45

Real reage, sobe entre emergentes e dólar cai a R$ 5,36 com juros e cenário externo

Diferencial de taxas, menor tensão geopolítica e sinal político interno ajudam moeda brasileira

ECONOMIA
Real teve forte recuperação frente ao dólar em dia de maior apetite global por risco. - (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Depois de figurar como a pior moeda entre os emergentes na véspera, o real reagiu nesta quinta-feira, 15, e apresentou o segundo melhor desempenho frente aos pares, atrás apenas do peso mexicano. A recuperação ocorreu em um dia de maior apetite global por risco, sustentada principalmente pelo diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, que manteve atrativas as operações de carry trade.

No mercado à vista, o dólar encerrou o dia em queda de 0,61%, cotado a R$ 5,3681, acumulando baixa de 2,20% em 2026. Já o contrato futuro para fevereiro recuava 0,54%, a R$ 5,389, no fim da tarde. O movimento ocorreu apesar da valorização global da moeda americana, com o índice DXY avançando 0,26%.

Entre os fatores externos, pesou a declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que não pretende demitir o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, além de um ambiente de menor tensão geopolítica envolvendo o Irã, o que ajudou a ampliar a busca por ativos de risco.

“O câmbio parece mais relacionado a um ajuste técnico do que a uma dinâmica estrutural diferente. Há fatores específicos do Brasil, mas o juro elevado aqui, combinado com um Fed cauteloso, sustenta a valorização do real”, avalia Guilherme Souza, economista da Ativa Investimentos.

No Brasil, indicadores econômicos também entraram no radar. A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) de novembro apontou alta de 1% nas vendas do varejo restrito, superando o teto das projeções do mercado. Mesmo com a leitura de que parte do consumo de dezembro foi antecipada pela Black Friday, a expectativa majoritária segue sendo de que a Selic só comece a cair a partir de março, segundo analistas.

Já nos Estados Unidos, a queda inesperada nos pedidos de auxílio-desemprego, para 198 mil, abaixo da previsão de 215 mil, trouxe dúvidas sobre a velocidade de cortes nos juros americanos, atuando como contraponto ao movimento do câmbio.

Para Fernando César, operador de câmbio da AGK Corretora, o nível da taxa básica brasileira segue sendo decisivo. “A Selic em 15% ao ano ainda é muito atrativa para carry trade. Além disso, Trump reduziu o tom sobre o Irã e descartou mudanças no comando do Fed, o que abriu espaço para maior apetite ao risco”, afirma.

O bom humor também se refletiu na Bolsa brasileira, que renovou recorde histórico intradia, ao alcançar 166 mil pontos.

No cenário político, o mercado reagiu à informação de que o PDT fechou apoio à candidatura de Ratinho Jr. à Presidência da República. A leitura predominante é de que a sinalização amplia as possibilidades de discussão sobre ajuste fiscal, o que tende a ser bem recebido por investidores.

“É uma sinalização relevante. Se mais partidos aderirem, a candidatura pode ganhar viabilidade. Investidores estrangeiros têm olhado com mais atenção para mercados emergentes, especialmente para renda variável, o que também ajuda o real”, afirma Marcos Weigt, head de Tesouraria da Travelex Bank.