Da Redação | 15 de janeiro de 2026 - 15h20

Endividamento cresce em Campo Grande, mas cai número de famílias sem condição de pagar

Mais moradores assumiram dívidas em 2025, porém parte conseguiu manter as contas em dia

ECONOMIA
Famílias de menor renda recorrem a formas mais imediatas de parcelamento, enquanto as de renda mais alta assumem dívidas maiores e de longo prazo - (Foto: Arquivo)

Mesmo com mais famílias assumindo dívidas ao longo de 2025, Campo Grande fechou o ano com leve melhora na capacidade de pagamento, segundo dados divulgados pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). O levantamento divulgado ontem (14) mostra que o endividamento aumentou, mas o número de pessoas que dizem não conseguir pagar o que devem diminuiu.

De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), 68,6% das famílias da Capital estavam endividadas em dezembro de 2025, contra 65% no mesmo período de 2024. Na prática, isso significa que 226.248 famílias tinham algum tipo de compromisso parcelado, como cartão de crédito, carnês de lojas, empréstimos ou financiamentos.

Menos atraso, mas dificuldade ainda preocupa - Apesar do aumento do endividamento, o percentual de famílias com contas em atraso caiu. Em 2024, 30,3% estavam inadimplentes. Em dezembro de 2025, esse número recuou para 29,4%.

Por outro lado, cresceu o grupo que admite não ter condições de quitar as dívidas. Esse índice passou de 12,5% para 13,7%, indicando que, embora menos pessoas estejam atrasando pagamentos, parte delas enfrenta dificuldades reais para reorganizar o orçamento.

A pesquisa mostra que o perfil das dívidas varia conforme a renda familiar. Entre quem ganha até 10 salários mínimos, o uso de carnês é mais comum: 21,7% das famílias endividadas utilizam esse tipo de parcelamento, geralmente associado ao varejo e com menos acesso a crédito bancário.

Já entre famílias com renda acima de 10 salários mínimos, esse percentual cai para 12,5%, enquanto os financiamentos de veículos aparecem com mais força: 19,6%, contra 9,1% nas famílias de menor renda.

O cartão de crédito continua sendo o principal motivo de endividamento em Campo Grande, independentemente da renda. Ele aparece em 65,9% das famílias com renda até 10 salários mínimos e em 69,6% das que ganham acima desse valor, mostrando o peso desse meio de pagamento no orçamento doméstico.