Erem Carla | 15 de janeiro de 2026 - 14h55

Acusadores pedem R$ 1,8 bilhão ao espólio de Michael Jackson por supostos abusos

Família Cascio diz que acordo antigo foi assinado sob pressão; herdeiros falam em extorsão

MUNDO
Processo envolvendo o espólio de Michael Jackson volta à Justiça americana com pedido bilionário. - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

Cinco pessoas que afirmam ter sido vítimas de abuso sexual cometido por Michael Jackson entraram na Justiça dos Estados Unidos pedindo uma indenização de US$ 200 milhões, o equivalente a cerca de R$ 1,8 bilhão. O pedido foi protocolado nesta quinta-feira (15) e envolve o espólio do cantor, responsável pela administração de seu patrimônio.

Os autores da ação são Frank Cascio e seus irmãos, que alegam que um acordo firmado em 2020 com os herdeiros de Jackson foi assinado sob coação. Segundo eles, os impactos psicológicos dos supostos abusos seguem presentes até hoje.

Do outro lado, os administradores do patrimônio do artista afirmam que a ação é uma tentativa de obter vantagem financeira, argumento apresentado durante audiência no tribunal.

Durante a sessão, o advogado do espólio, Marty Singer, sustentou que as acusações fazem parte de uma estratégia de pressão econômica. A defesa da família Cascio rejeitou a acusação.

O advogado Howard King, que representa os irmãos, afirmou que seus clientes permanecem traumatizados e que um deles estaria em estado emocional grave. Segundo ele, as acusações não são inventadas.

King disse ainda que, ao assumir o caso em 2024, ouviu os cinco irmãos em entrevistas gravadas, que somam mais de dez horas de relatos.

Valor pedido e acordos anteriores - Para justificar o valor da indenização, a defesa citou um acordo feito nos anos 1990, quando Michael Jackson teria pago cerca de US$ 25 milhões a um único acusador. No processo atual, são cinco pessoas.

Frank Cascio conviveu com Michael Jackson por mais de 30 anos e chegou a trabalhar como seu assistente pessoal. A aproximação começou após o pai dele conhecer o cantor em um hotel em Nova York. Com o tempo, Jackson passou a frequentar a casa da família.

Em 2011, Cascio lançou o livro Meu Amigo Michael, no qual defendeu o artista e afirmou nunca ter presenciado qualquer comportamento inadequado, nem na infância nem na vida adulta.

Acordo confidencial e nova disputa - Segundo os representantes do espólio, o conflito ganhou força após o documentário Leaving Neverland, exibido em 2019. Em janeiro de 2020, foi fechado um acordo confidencial, com pagamentos parcelados ao longo de cinco anos e cláusulas que previam arbitragem.

A disputa voltou à Justiça em julho de 2024, quando os irmãos passaram a exigir mais de US$ 213 milhões, sob a ameaça de ampliar a divulgação das acusações.

O espólio afirma que a nova ação está ligada a negociações comerciais recentes, incluindo a venda de 50% do catálogo musical de Michael Jackson para a Sony, concluída em 2024 por US$ 600 milhões.