15 de janeiro de 2026 - 13h25

Copinha reforça estratégia do Palmeiras e coloca Eduardo Conceição no radar do mercado

Atacante de 16 anos assina primeiro contrato profissional e amplia histórico recente de grandes vendas da base alviverde

FUTEBOL DE BASE
Eduardo Conceição, de 16 anos, virou destaque do Palmeiras na Copinha após marcar quatro gols em uma única partida - Foto: Imagem Ilustrativa/ A Crítica

A Copa São Paulo de Futebol Júnior, tradicional vitrine do futebol brasileiro a cada mês de janeiro, segue confirmando um caminho que o Palmeiras transformou em método. Logo no início da edição de 2026, o clube já passou a observar a ascensão de mais um nome com potencial esportivo e financeiro elevado. Trata-se do atacante Eduardo Conceição, de 16 anos, que assinou na última semana seu primeiro contrato profissional, válido até janeiro de 2029, com multa rescisória estipulada em 100 milhões de euros, cerca de R$ 624 milhões.

O jovem se tornou um dos principais assuntos da Copinha após atuação decisiva na goleada por 9 a 0 sobre o Batalhão. Na partida, Eduardo marcou quatro gols e deu duas assistências, números que o colocaram imediatamente entre os jogadores mais observados da competição. Dentro do clube, o entendimento é de que o atacante reúne características técnicas e físicas que se encaixam no perfil trabalhado pela base palmeirense nos últimos anos.

A repercussão ultrapassou rapidamente o cenário nacional. Na Europa, o diário espanhol AS publicou reportagem em que chamou Eduardo de “novo Endrick”, enquanto o jornal português A Bola destacou o desempenho do atleta ao ressaltar a quantidade de gols e participações diretas em um único jogo. O interesse estrangeiro ajuda a explicar por que o Palmeiras optou por assegurar um vínculo longo e uma multa considerada fora do padrão para atletas da categoria.

Essa valorização já vinha sendo testada antes mesmo da atual Copinha. Em 2025, o clube recusou uma oferta de 16 milhões de euros pelo jogador. Eduardo chegou ao Palmeiras ainda em 2018, com nove anos de idade, inicialmente para atuar no futsal. A transição para o futebol de campo ocorreu de forma gradual, com o atleta avançando pelas categorias de base até alcançar o atual protagonismo.

O roteiro vivido pelo atacante não é isolado. Em 2015, Gabriel Jesus foi o principal nome do Palmeiras na Copinha e, poucos meses depois, ganhou espaço no elenco profissional. Na sequência, conquistou títulos nacionais, o ouro olímpico com a Seleção Brasileira e acabou negociado com o Manchester City por 32,75 milhões de euros, aos 19 anos.

Em 2022, a competição voltou a servir como ponto de virada para outro talento. Endrick, então com 15 anos, marcou gols decisivos logo nas primeiras rodadas e conduziu o Palmeiras ao título inédito do torneio. Um dos lances mais lembrados daquela edição, a meia-bicicleta nas quartas de final, teve repercussão internacional e foi compartilhado pela própria FIFA. Ainda naquele ano, Endrick estreou no time profissional, conquistou o Campeonato Brasileiro e iniciou uma trajetória que o colocou entre os principais jovens do futebol mundial.

A sequência teve continuidade em 2024 com o zagueiro Vitor Reis. Apesar da eliminação precoce do Palmeiras na Copinha, o defensor chamou atenção pelo desempenho consistente e acabou incluído pelo jornal britânico The Guardian na lista dos 60 jovens mais promissores do futebol mundial. Capitão da seleção brasileira sub-17, Vitor foi integrado ao elenco principal, marcou gol logo na estreia contra o Corinthians e, no início de 2025, foi vendido ao Manchester City por 35 milhões de euros, a maior negociação da história do futebol brasileiro envolvendo um zagueiro.

Para o mercado, o histórico recente explica a atenção voltada à base palmeirense. “Hoje, o mercado olha para a base do Palmeiras com o mesmo respeito que olha para grandes academias europeias. A combinação entre tecnologia, metodologia e tempo de maturação faz com que o clube maximize o valor de cada talento. Quando surge um jogador como o Vitor, a reação é quase imediata”, afirma Cláudio Fiorito, CEO da P&P Sports Management no Brasil, empresa que gere a carreira do defensor.

Além desses casos, outros nomes formados na Academia de Futebol também passaram a atuar no exterior na última década. Estêvão, atualmente no Chelsea, Luis Guilherme, no West Ham, e Danilo, no Nottingham Forest, fazem parte de uma lista que ajudou o Palmeiras a movimentar mais de R$ 1,5 bilhão em negociações desde 2015.

É dentro desse contexto que Eduardo Conceição aparece como mais um capítulo dessa política de formação aliada à gestão de mercado. Com contrato longo, multa elevada e visibilidade internacional ainda na adolescência, o atacante simboliza a continuidade de um modelo que se tornou um dos pilares esportivos e financeiros do clube.

Os números ajudam a sustentar a expectativa. Dados da plataforma E-Scout, que avalia atletas da Copinha, indicam que Eduardo apresenta índices elevados de finalização e drible, além de boa leitura de jogo. Atuando como referência no ataque, o jogador se destaca pela movimentação dentro da área, velocidade nos arranques e resistência ao longo da partida, características que explicam por que seu nome passou a ser tratado como um dos principais ativos do Palmeiras já no início da temporada.