Aneel deve suspender por 90 dias cobranças de geradores que afetam conta de luz
Medida busca evitar prejuízos bilionários enquanto governo define regras de compensação ao setor
NACIONALA Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deve decidir, na próxima terça-feira (20), a suspensão temporária de cobranças feitas a geradores de energia que acabam refletindo na conta de luz dos consumidores. A medida valerá por 90 dias e será analisada na primeira reunião pública da agência em 2026.
A proposta prevê interromper, de forma provisória, os ressarcimentos financeiros pagos por usinas quando a energia gerada fica abaixo do contratado. A expectativa dentro da Aneel é de que a decisão seja aprovada.
O que está em jogo - Esses pagamentos acontecem quando usinas não conseguem entregar toda a energia prevista em contrato. Nesses casos, os geradores são obrigados a compensar financeiramente os consumidores por meio da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
O problema é que, em muitos casos, a redução da geração não ocorre por falha das empresas, mas por cortes determinados pelo próprio sistema elétrico, conhecidos como curtailment. Essa situação afeta principalmente usinas solares e eólicas.
Por que a Aneel quer suspender agora - Uma lei aprovada no ano passado garantiu que os geradores afetados por esses cortes tenham direito a compensação financeira. No entanto, as regras para esse pagamento ainda estão sendo definidas pelo Ministério de Minas e Energia, que abriu uma consulta pública sobre o tema.
Se as cobranças continuarem acontecendo enquanto essas regras não são finalizadas, o valor que deveria ser usado para compensar os geradores pode acabar sendo reduzido. Na prática, isso pode gerar prejuízo financeiro direto às empresas do setor.
Por isso, a Aneel avalia que a suspensão temporária é necessária para evitar distorções. A relatora do processo, diretora Agnes da Costa, já sinalizou voto favorável à suspensão. Segundo ela, manter as cobranças neste momento pode causar danos financeiros difíceis de reverter.
A Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) estima que os valores atualmente envolvidos nesse processo somam cerca de R$ 4 bilhões dentro da CCEE.
Caso a medida seja aprovada, a Câmara de Comercialização será oficialmente orientada a interromper essas cobranças por três meses, enquanto o governo finaliza as regras de compensação previstas em lei.