Influenciador Felca vira alvo de ataques no Roblox após mudanças em chat por voz
Jogadores responsabilizam criador por restrições na plataforma, que endureceu regras após denúncias de abuso
INTERNETAlerta: o texto a seguir aborda temas sensíveis, como abuso sexual, suicídio e saúde mental. Ao final da reportagem, há informações sobre onde buscar ajuda.
O influenciador Felca passou a ser alvo de ataques e protestos dentro do jogo infantil Roblox após a plataforma anunciar novas restrições no uso do chat por voz. Mesmo sem ligação direta com a decisão, ele se tornou o principal alvo da revolta de parte dos usuários, que passaram a associar as mudanças a conteúdos produzidos por ele.
Na quarta-feira (14), Felca publicou em suas redes sociais prints de mensagens recebidas, incluindo ameaças. Entre elas, frases como “está feliz, Felca?” e “eu vou te matar”. Dentro do próprio jogo, jogadores exibiram cartazes virtuais com mensagens de hostilidade direcionadas ao influenciador, que rapidamente se espalharam pelas redes sociais.
A associação feita pelos usuários ocorre por conta do impacto do vídeo Adultização, publicado por Felca, que ultrapassou 51 milhões de visualizações no YouTube. O conteúdo ampliou o debate sobre exploração infantil na internet e antecedeu investigações que resultaram na prisão de Hytalo Santos e na tramitação do chamado Projeto de Lei da Adultização.
O que mudou no Roblox - As alterações no Roblox começaram a valer no último dia 7, após críticas recorrentes de que a plataforma facilitava o acesso de crianças a conteúdos adultos e ilegais. Desde então, usuários passaram a ser submetidos a verificações faciais para comprovar a idade.
Com as novas regras, crianças não podem mais conversar por áudio com adultos. Jogadores com menos de 9 anos, por exemplo, só interagem com usuários de até 13. Já o chat entre faixas etárias mais amplas fica restrito a jogadores com mais de 16 anos.
Plataforma sob críticas - Criado como um ambiente de jogos colaborativos, o Roblox ganhou grande popularidade durante a pandemia e, segundo a própria empresa, alcançou 151 milhões de usuários no último ano. O apelo entre crianças está no formato de “metaverso”, em que avatares interagem em jogos criados pelos próprios usuários.
Ao mesmo tempo, a presença de adultos na plataforma fez crescer denúncias de crimes. Desde 2018, há registros de casos envolvendo simulações de abuso, exposição a pornografia e ambientes que recriam violência extrema. Reportagens internacionais apontaram situações envolvendo crianças vítimas de aliciamento e exploração sexual.
Em um dos casos mais graves, uma mãe norte-americana processou a empresa após o filho autista, Ethan Dallas, cometer suicídio. O adolescente teria sido manipulado por um adulto que se passava por criança, induzido a desativar controles parentais e ameaçado após o envio de imagens íntimas. O suspeito foi identificado posteriormente como um homem de 37 anos, preso por crimes relacionados à pornografia infantil.
Após esses episódios, o Roblox passou a adotar medidas mais rígidas de segurança e verificação etária. A empresa declarou, à época, que trabalha para ampliar recursos de proteção e coopera com autoridades policiais. O Discord, plataforma para a qual parte dessas conversas migrou, também afirmou manter políticas de segurança e exigir idade mínima de 13 anos.
Onde buscar ajuda
Centro de Valorização da Vida (CVV)
Atendimento emocional 24 horas por dia pelo telefone 188, chat ou e-mail.
- Canal Pode Falar
Serviço do Unicef voltado a jovens de 13 a 24 anos. Atendimento via WhatsApp, de segunda a sexta, das 8h às 22h.
- SUS – Caps
Os Centros de Atenção Psicossocial oferecem atendimento em saúde mental, inclusive para crianças e adolescentes.
- Mapa da Saúde Mental
Plataforma que reúne serviços gratuitos de atendimento psicológico presencial e on-line.