Execução de jovem iraniano é adiada após pressão de ONG de direitos humanos
Sentenciado por "inimizade contra Deus", Erfan Soltani, de 26 anos, teve morte adiada, mas família segue sem informações claras em meio a bloqueio de internet no Irã
INTERNACIONALA execução de Erfan Soltani, 26 anos, que estava marcada para esta quarta-feira (14), foi adiada, segundo informações da ONG Hengaw Organization for Human Rights. O jovem foi preso em 8 de janeiro, em casa, na cidade de Kurtis, por participar dos protestos contra o governo do Irã.
Em publicação no X, a Hengaw informou ter sido avisada por familiares de Soltani que a ordem de execução, já comunicada à família e prevista para hoje, “não foi implementada e foi adiada”.
A sentença imposta a Erfan é de Moharebeh – “inimizade contra Deus” –, uma das acusações mais graves do regime iraniano, passível de pena de morte. A ONG destaca que, em razão do bloqueio de internet e das restrições de comunicação no país, não é possível atualizar em tempo real o que acontece com o jovem.
“Apesar das sérias e contínuas preocupações com o direito à vida de Erfan Soltani, a Hengaw considera sua responsabilidade publicar qualquer informação atualizada e verificada assim que estiver disponível”, declarou a organização.
Os protestos contra o governo tomam conta do Irã há duas semanas e já deixaram mais de 3,4 mil mortos, segundo ativistas. As manifestações começaram em escala nacional e vêm sendo respondidas com aumento da repressão pelas autoridades iranianas.
Em entrevista à Fox News nesta quarta-feira (14), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o governo tem “controle total” da situação. “Após três dias de operações terroristas, agora há calma. Estamos em pleno controle”, disse ele ao programa “Special Report”.
De acordo com a Hengaw, após ser preso, Erfan Soltani passou por um julgamento acelerado, sem direito à presença de advogados, sem acesso a garantias básicas de defesa e com pouca transparência.
A família ficou dias sem qualquer notícia. O contato das autoridades só ocorreu no fim de semana, já para informar que a execução estava marcada e que os parentes poderiam se despedir.
Os familiares tiveram direito a uma rápida visita, de cerca de 10 minutos, apenas para dizer adeus ao jovem, relata a ONG. A irmã de Erfan, que é advogada, tentou impedir a pena de morte por meios legais, mas, segundo a entidade, não conseguiu acesso aos autos do processo.
A organização afirma ainda que os familiares teriam sido ameaçados por autoridades caso se manifestassem publicamente sobre o caso.
Mesmo com o adiamento da execução, as entidades de direitos humanos reforçam a preocupação com a vida de Erfan Soltani e com o avanço da repressão durante os protestos no Irã, em um cenário de forte restrição à informação para dentro e para fora do país.