Ibovespa rompe 165 mil pontos com apoio de Petrobras, Vale e grandes bancos
Índice tem maior alta desde agosto, fecha em novo recorde e descola de Nova York em sessão marcada por tensão no Oriente Médio e leitura do cenário eleitoral
ECONOMIAO Ibovespa emplacou, nesta quarta-feira (14), um novo recorde histórico de fechamento, ao encerrar o pregão aos 165.145,98 pontos, em alta de 1,96%. No intraday, o índice bateu 165.146,49 pontos, também máxima histórica, fechando muito próximo do pico do dia. Foi a maior alta percentual desde 22 de agosto (+2,57%).
Ao longo da tarde, o índice chegou a perder força na última hora de negociação, acompanhando a virada do petróleo de alta para queda nas bolsas de Londres e Nova York. Ainda assim, o Ibovespa mostrou resiliência e conseguiu sustentar o avanço apoiado, sobretudo, nas ações de Petrobras, Vale e grandes bancos. O giro financeiro somou R$ 65,5 bilhões, inflado pelo vencimento de opções sobre o índice. Com isso, o Ibovespa acumula ganho de 1,09% na semana e de 2,50% no ano.
A sessão marcou a primeira vez em que o índice fechou acima dos 165 mil pontos, superando com folga a antiga máxima histórica de encerramento, de 164.455,61 pontos, registrada em 4 de dezembro. Na mínima do dia, logo na abertura, o Ibovespa tocou 161.974,19 pontos.
Como na terça-feira, a forte alta do petróleo no início da sessão impulsionou o setor de energia e colocou Petrobras na dianteira do índice. Na etapa vespertina, as ações ordinárias chegaram a subir mais de 5% e as preferenciais, mais de 4%. Porém, na reta final do pregão, o movimento foi parcialmente devolvido após mudança no humor da commodity.
O petróleo, que avançava perto de 2% mais cedo, virou para queda de quase 3% nas duas praças internacionais, após declarações de Donald Trump, interpretadas como um arrefecimento do tom em relação ao Irã. O comentário foi visto como sinal de menor risco de escalada militar contra um importante produtor de petróleo, reduzindo a pressão de alta sobre os preços.
Ao fim do pregão, Petrobras ON fechou com alta de 3,63% e a PN, de 2,73%. A acomodação do papel, porém, foi mais do que compensada pelo desempenho de Vale ON, que avançou 4,74% e, por ter o maior peso do índice, ajudou decisivamente a empurrar o Ibovespa para o novo patamar.
Também contribuíram as ações de grandes bancos, que ganharam fôlego na reta final: BTG Pactual Unit subiu 2,08%, enquanto Itaú PN avançou 1,10% e Bradesco PN, 1,81%. Na ponta positiva, além de Vale, se destacaram Bradespar (+4,32%) e TIM (+4,30%). No campo negativo, as piores quedas foram de MRV (-5,34%), Rumo (-4,26%) e Marcopolo (-2,21%).
Para Luise Coutinho, head de produtos e alocação da HCI Advisors, os papéis “carro-chefe” da B3, como Vale, Petrobras e Itaú, também foram impulsionados por fluxos de compra derivados de recomendações positivas de grandes bancos de investimento para o mercado brasileiro.
Na leitura técnica, a equipe de pesquisa do Itaú BBA vinha avaliando que o Ibovespa ainda não estaria “pronto” para romper a resistência mais relevante, justamente a região da máxima histórica intradia de 165 mil pontos observada em 5 de dezembro. Esse nível acabou vencido no fim da tarde desta quarta-feira.
O banco pondera, porém, que mesmo com o índice renovando sua máxima histórica intradia, boa parte dos índices setoriais ainda não alcançou as máximas dos últimos 12 meses, o que tende a manter o mercado mais seletivo por algum tempo.
Ainda assim, o Itaú BBA aponta que, superada de forma consistente a região dos 165 mil pontos, o Ibovespa passa a mirar, como primeiro objetivo, a marca de 180 mil pontos no médio prazo.
O pano de fundo da sessão voltou a ser a tensão geopolítica no Oriente Médio e o risco de intervenção direta dos Estados Unidos na crise interna do Irã. Mais cedo, a incerteza levou o petróleo a acumular alta superior a 1%, em movimento que se somou ao ganho de mais de 2% da véspera.
A forte exposição da Bolsa brasileira a Petrobras e ao comportamento da commodity ajudou o Ibovespa a se descolar do tom negativo em Nova York, onde o S&P 500 caiu 0,53% e o Nasdaq recuou 1,00%.
“O setor de petróleo ainda ajudou bastante com a tensão no Oriente Médio. Pelo peso que tem na B3, foi fundamental para este descolamento de Nova York”, avalia Patrick Buss, operador de renda variável da Manchester Investimentos.
Na parte final da sessão, porém, os comentários de Trump sinalizando que execuções de manifestantes no Irã teriam acabado foram recebidos como gesto de apaziguamento, reduzindo a pressão de alta sobre o petróleo e provocando a virada da commodity para o terreno negativo.
Além do cenário externo, fatores domésticos também influenciaram, ainda que em segundo plano, o humor do mercado. Entre eles, a nova pesquisa Genial/Quaest sobre a disputa presidencial. O levantamento mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à frente, mas com margem menor em relação a potenciais adversários.
Em nota, a Warren Investimentos afirma que a pesquisa “mantém Lula como favorito, mas traz sinais de alerta para a campanha de reeleição do petista”. A casa destaca que, entre eleitores que fogem da polarização ou se declaram independentes, há sinais de desgaste: “64% dizem que o presidente não merece ficar mais quatro anos”, aponta o relatório.
Por outro lado, a Warren avalia que a “fragmentação da direita prejudica bastante” a viabilidade de uma candidatura presidencial do governador de São Paulo, Tarcísio de Moraes, visto pelo mercado como o nome mais comprometido com um eventual ajuste fiscal a partir de 2027. Segundo a casa, Tarcísio tem melhor desempenho de primeiro turno quando a fragmentação da direita diminui.
“Tarcísio emerge como um candidato que pode rivalizar com Lula, refletindo uma mudança no cenário eleitoral”, diz Bruno Corano, economista e CEO da Corano Capital. Para ele, essa melhora relativa pode pesar na decisão do governador sobre disputar ou não a Presidência, ainda que sua candidatura dependa da aprovação de Jair Bolsonaro, que até agora tem sinalizado preferência pelo filho e pré-candidato ao Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).