Carlos Guilherme | 14 de janeiro de 2026 - 11h50

Operação mira facção com ramificações em MS e cumpre mais de 470 mandados no país

Investigação aponta atuação interestadual de grupo envolvido com tráfico, lavagem de dinheiro e extorsão

'CARTÓRIO CENTRAL'
A ofensiva reforça a preocupação das forças de segurança com a expansão de facções para além das grandes capitais, atingindo cidades do interior e estados vizinhos, como Mato Grosso do Sul, que vem sendo citado em investigações de alcance nacional. - (Foto: PC/MT)

Mato Grosso do Sul está entre os estados atingidos por uma das maiores ofensivas policiais contra o crime organizado neste início de ano. Uma megaoperação deflagrada nesta quarta-feira (14) pela Polícia Civil de Mato Grosso cumpre mandados em território sul-mato-grossense como parte de uma investigação que mira uma facção criminosa com atuação interestadual.

Batizada de Operação Cartório Central, a ação mobiliza forças policiais em cinco estados e tem como foco desarticular um grupo suspeito de envolvimento com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, extorsão, agiotagem e controle territorial. Ao todo, são 471 ordens judiciais, entre prisões preventivas, buscas domiciliares e bloqueio de bens.

Além de Mato Grosso do Sul, os mandados são cumpridos em cidades de Mato Grosso, Goiás, Pará, Acre e São Paulo. As ordens foram expedidas pela 1ª Vara Criminal de Primavera do Leste, com base em um inquérito conduzido ao longo de mais de um ano.

Operação Cartório Central cumpre mandados em Mato Grosso do Sul e outros quatro estados - (Foto: PC/MT)

As investigações identificaram que a facção possuía divisão clara de funções, hierarquia interna e um sistema próprio de controle financeiro. O grupo coordenava o comércio de entorpecentes, promovia cobranças ilegais e mantinha mecanismos de arrecadação e repasse de valores, inclusive fora do estado de origem.

Segundo a Polícia Civil, parte do dinheiro obtido com o tráfico era utilizada em empréstimos informais, especialmente a comerciantes, prática que caracteriza crime de usura, com cobrança de juros acima do permitido por lei. O objetivo era mascarar a origem ilícita dos recursos.

Ramificações e repressão financeira - O esquema era supervisionado por integrantes de escalões superiores da facção, responsáveis pelo financiamento e pela imposição de regras internas. As cobranças contavam com apoio de um grupo disciplinar, que atuava com ameaças, represálias e até sequestros contra quem descumprisse ordens ou concorrentes do esquema ilegal.

As medidas judiciais também incluem 21 determinações de bloqueio e indisponibilidade de valores, com foco em interromper o fluxo financeiro da organização criminosa e enfraquecer sua capacidade de atuação.