Fernanda Bompan | 14 de janeiro de 2026 - 08h30

Dólar abre em leve queda com cautela global e expectativa por dados dos EUA

Mercado também monitora pesquisa Genial/Quaest, tensões no Irã e novos desdobramentos do caso Banco Master

ECONOMIA
Dólar abriu em leve queda nesta quarta-feira, com investidores atentos a dados dos EUA e ao cenário político no Brasil. - (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O dólar à vista abriu esta quarta-feira (14) em leve queda frente ao real, recuando 0,08% e sendo negociado a R$ 5,3715 nas primeiras operações. O movimento reflete, principalmente, o desempenho da moeda norte-americana no exterior, em relação a seus pares e a divisas de países emergentes, em um ambiente marcado por cautela nos mercados globais.

Os investidores aguardam a divulgação de indicadores econômicos relevantes nos Estados Unidos, capazes de influenciar as expectativas sobre o ritmo de cortes de juros ao longo de 2026. Às 10h30, serão publicados o índice de preços ao produtor (PPI) e os dados de vendas no varejo. Já às 16h, o Federal Reserve divulga o Livro Bege, relatório que reúne informações qualitativas sobre a atividade econômica nas diferentes regiões do país.

Esses dados ganham ainda mais importância após o índice de preços ao consumidor (CPI), divulgado na véspera, ter vindo em linha com as projeções do mercado, mantendo em aberto as apostas sobre a trajetória da política monetária americana.

Além dos indicadores, discursos de dirigentes do Federal Reserve também estão no radar. O presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari, fala às 14h, enquanto o presidente do Fed de Nova York, John Williams, se pronuncia às 16h10. As falas ocorrem em meio ao aumento da pressão política do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por cortes mais agressivos nos juros.

No cenário internacional, o ambiente segue pressionado pela escalada das tensões geopolíticas envolvendo o Irã. Trump voltou a endurecer o discurso contra o regime iraniano e afirmou que adotará “medidas muito duras” diante da repressão aos protestos no país. Segundo ativistas, o número de mortos já ultrapassa 3 mil. Movimentações militares dos Estados Unidos na região elevaram a aversão ao risco nos mercados globais.

No mercado doméstico, os investidores acompanham com atenção a divulgação da primeira pesquisa Genial/Quaest de 2026, prevista para as 10h. O levantamento traz avaliação do governo e um retrato inicial do cenário eleitoral. Em dezembro, a pesquisa mostrava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva liderando todos os cenários testados, com o senador Flávio Bolsonaro aparecendo como o nome mais competitivo da direita.

O resultado tende a ser monitorado de perto pelo mercado de câmbio, em um momento em que o risco político volta a ganhar peso na precificação dos ativos brasileiros.

Ainda no campo político, um novo levantamento do instituto AtlasIntel, divulgado nesta manhã, apontou que 57% dos brasileiros discordam da posição do governo Lula diante da operação dos Estados Unidos que capturou o ditador venezuelano Nicolás Maduro, em 3 de janeiro. Já 42% disseram apoiar a postura do Planalto, enquanto 2% não souberam responder.

Outro fator de atenção no mercado interno é a nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira pela Polícia Federal. A investigação apura suspeitas envolvendo o Banco Master e voltou a ter como alvo o banqueiro Daniel Vorcaro, novamente submetido a mandados de busca e apreensão.

Na terça-feira (13), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o caso pode se configurar como a “maior fraude bancária” da história do país, declaração que reforçou a cautela entre os agentes financeiros.

Na sessão anterior, o dólar à vista encerrou em leve alta de 0,06%, cotado a R$ 5,3759, após oscilar entre a mínima de R$ 5,3649 e a máxima de R$ 5,394. Com esse resultado, a moeda americana passou a acumular queda de 2,06% em 2026 frente ao real.