Ibovespa cai 0,72% com peso de bancos e tensão externa no radar
Alta de Petrobras e Vale não evita recuo do índice em dia marcado por cenário internacional adverso
IBOVESPAO Ibovespa seguiu em queda ao longo de toda a sessão desta terça-feira (13) e encerrou o dia no campo negativo, pressionado principalmente pelo desempenho do setor financeiro. O principal índice da Bolsa brasileira terminou aos 161.973,05 pontos, com recuo de 0,72%, depois de abrir o pregão aos 163.146,26 pontos e tocar mínima de 161.765,08 pontos.
Com o resultado, o Ibovespa acumula perda de 0,86% na semana, considerando apenas dois pregões, o que reduziu o avanço tanto do mês quanto do ano para 0,53%. O volume financeiro negociado foi de R$ 24,9 bilhões.
Mesmo com a forte valorização de Petrobras, o índice não conseguiu sustentar reação. As ações ordinárias da estatal subiram 3,41%, enquanto as preferenciais avançaram 2,57%. Vale também teve desempenho positivo, com alta de 0,82%. Ainda assim, o peso do setor financeiro, o de maior representatividade no índice, acabou neutralizando o efeito desses ganhos.
Entre os bancos, as ações fecharam em baixa generalizada. Itaú PN recuou 0,81%, no menor nível do dia no fechamento, enquanto Banco do Brasil ON caiu 3,06%. Bradesco e Santander também contribuíram para o movimento negativo do índice.
Na ponta positiva do Ibovespa, além de Petrobras e Vale, destacaram-se Gerdau, com alta de 1,93%, Metalúrgica Gerdau, que avançou 1,83%, e CSN, com ganho de 1,31%. No sentido oposto, Hapvida liderou as perdas, com queda de 8,39%, seguida por Yduqs (-4,75%), Vivara (-4,59%) e Magazine Luiza (-4,43%).
Segundo Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, o mercado segue reagindo principalmente ao cenário externo. “Notícias de fora continuam a pesar sobre o Ibovespa”, afirmou, destacando o esvaziamento da agenda doméstica neste início de ano e os desdobramentos envolvendo o caso Banco Master. Ele acrescentou que a tensão geopolítica voltou a ganhar relevância, agora com foco no Irã.
No exterior, o petróleo foi um dos destaques do dia, com ganhos superiores a 2% em Londres e Nova York. O movimento ocorre em meio à escalada das tensões no Irã e ao endurecimento do discurso dos Estados Unidos sobre os protestos no país. Segundo ativistas, o número de mortos já ultrapassa 2 mil, após dias de repressão, período em que as autoridades chegaram a cortar comunicações.
De acordo com a Human Rights Activists News Agency, sediada nos Estados Unidos, o total de mortes supera o de qualquer outra onda de protestos registrada no Irã nas últimas décadas. O presidente americano, Donald Trump, indicou que não descarta uma ação militar ao lado de Israel caso a repressão continue, o que poderia abrir uma nova frente de conflito, após a recente operação americana na Venezuela. Na noite de segunda-feira (12), Trump também prometeu impor tarifas a países que mantiverem relações comerciais com o Irã.
Para Davi Lelis, sócio da Valor Investimentos, a postura de Trump deixa claro o uso da economia como instrumento de pressão política. Segundo ele, essa estratégia reforça o processo de desglobalização, que tende a aumentar a volatilidade no preço do petróleo no curto prazo.
Em Nova York, os principais índices acionários fecharam em queda, mesmo após a divulgação de um CPI sem surpresas. O Dow Jones recuou 0,80%, o S&P 500 caiu 0,19% e o Nasdaq perdeu 0,10%. Além da tensão geopolítica, os investidores acompanharam com cautela a retomada das pressões da Casa Branca sobre a autonomia do Federal Reserve.
Bruno Perri, estrategista e economista-chefe da Forum Investimentos, destacou que a combinação de incerteza externa e ruído institucional nos Estados Unidos acabou se sobrepondo ao alívio trazido pela inflação dentro do esperado. No Brasil, segundo ele, também perdeu força o impacto positivo do ajuste nos juros futuros após a divulgação da Pesquisa Mensal de Serviços.
No câmbio, o dólar teve leve recuperação diante do aumento da aversão ao risco. A moeda americana subiu 0,06% frente ao real, encerrando o dia cotada a R$ 5,3759, acompanhando o avanço moderado do índice DXY no exterior.
Para Eduardo Amorim, especialista da Manchester Investimentos, o ambiente atual aponta para maior volatilidade tanto no câmbio quanto na Bolsa. Segundo ele, apesar de o dólar ser o ativo mais negociado do mundo, o aumento das incertezas globais tende a afetar o fluxo de capitais, o que limita movimentos mais claros no curto prazo.