Caroline Aragaki | 13 de janeiro de 2026 - 19h15

Dólar fecha perto da estabilidade com pressão externa e apoio do petróleo

Críticas de Trump ao Fed fortalecem moeda americana, enquanto alta da commodity limita perdas do real

ECONOMIA
Dólar encerrou o dia perto da estabilidade, influenciado pelo cenário externo e pela alta do petróleo. - (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Após alternar sinais ao longo da manhã, o dólar passou a operar em alta frente ao real na segunda metade do pregão e chegou a renovar máximas intradia. No fechamento, porém, a moeda terminou próxima da estabilidade, em um dia marcado pelo fortalecimento global do dólar e pelo impacto limitado dos dados de inflação dos Estados Unidos sobre as expectativas de juros.

O pano de fundo do mercado foi o avanço da divisa americana no exterior, impulsionado por novas críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell. Ao mesmo tempo, o índice de preços ao consumidor (CPI) norte-americano não trouxe mudanças relevantes nas apostas para a trajetória dos juros em 2026. A alta do petróleo, que atingiu os maiores níveis desde o fim de 2025, ajudou a dar algum suporte ao real, já que o Brasil é exportador da commodity.

O dólar à vista encerrou esta terça-feira (13) em alta de 0,06%, cotado a R$ 5,3759. Ao longo do dia, a moeda oscilou entre a mínima de R$ 5,3649, registrada pela manhã, e a máxima de R$ 5,394, por volta das 13h20. Com o resultado, o dólar passou a acumular queda de 2,06% em 2026. No mercado futuro, o contrato com vencimento em fevereiro recuou 0,08%, a R$ 5,397, ainda com baixo volume de negócios.

No cenário externo, o dólar ganhou força tanto frente a moedas fortes quanto diante da maioria das divisas de países emergentes e exportadores de commodities. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas, avançava cerca de 0,29% no fim da tarde. Entre os emergentes, exceções ficaram por conta do peso mexicano e do peso colombiano.

Para Rafael Passos, sócio e analista da Ajax Asset, o principal fator por trás do movimento foi o embate entre Donald Trump e Jerome Powell. Segundo ele, o republicano voltou a criticar o presidente do Fed durante a tarde, o que reforçou o dólar no exterior. “Nosso câmbio também acaba sendo contaminado por esse dólar mais forte lá fora”, avaliou.

Em meio à abertura de uma investigação pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos contra Powell, Trump voltou a afirmar que o país tem “um péssimo presidente do Fed”. O ex-presidente também disse não saber se haverá corte de juros, mas voltou a defender que as taxas atuais estão elevadas.

Pela manhã, o mercado reagia aos dados do CPI americano, que vieram exatamente em linha com a mediana das projeções. O índice subiu 0,3% em dezembro na comparação com novembro, já com ajuste sazonal, enquanto a inflação acumulada em 12 meses avançou para 2,7%, segundo o Departamento do Trabalho dos EUA.

No fim do pregão, o real encontrou algum alívio com a forte valorização do petróleo. Os contratos futuros da commodity subiram mais de 2,5%, com o WTI alcançando o maior nível desde outubro e o Brent atingindo o maior patamar desde setembro de 2025. O movimento reflete preocupações com tensões internas no Irã, novas tarifas impostas pelos Estados Unidos ao país persa e desdobramentos geopolíticos envolvendo Venezuela, além do conflito entre Rússia e Ucrânia.