Vendas de motos batem recorde em 2025 e superam carros pela primeira vez no Brasil
Emplacamentos chegam a 2,2 milhões, impulsionados por delivery e busca por veículos mais econômicos
MERCADO AUTOMOTIVOAs vendas de motocicletas no Brasil atingiram um patamar histórico em 2025 e, pela primeira vez, superaram o volume de carros de passeio comercializados no País. Ao todo, foram vendidas 2,2 milhões de motos ao longo do ano, número que representa um crescimento de 17,1% em relação a 2024, segundo balanço divulgado nesta terça-feira (13) pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
O desempenho consolidou uma mudança relevante no mercado automotivo brasileiro. Em 23 anos de série histórica, nunca havia sido registrado um volume maior de emplacamentos de motocicletas do que de automóveis. Em 2025, a diferença foi de aproximadamente 200 mil unidades: enquanto as motos somaram 2,2 milhões de vendas, os carros de passeio fecharam o ano com 2 milhões de unidades comercializadas.
Os números de dezembro reforçam a força do setor. No último mês do ano, foram vendidas 193,2 mil motocicletas, alta de 27,2% na comparação com dezembro de 2024. Em relação a novembro, o crescimento foi de 7%, indicando um avanço consistente mesmo na reta final do ano.
A Fenabrave aponta que o resultado reflete uma mudança estrutural no comportamento do consumidor. Antes da pandemia, tomando 2019 como referência, o mercado de carros era praticamente o dobro do de motos. Desde então, o segmento de duas rodas ganhou força e, na prática, dobrou de tamanho no País.
Entre os fatores que explicam essa virada está a expansão dos serviços de entrega, que impulsionou a demanda por motocicletas em centros urbanos. Além disso, consumidores têm buscado alternativas mais acessíveis diante do custo elevado dos automóveis. As motos se destacam por preços mais baixos, manutenção menos onerosa e maior economia de combustível.
Esse novo cenário reposiciona o papel das motocicletas no transporte individual brasileiro, deixando de ser apenas uma opção secundária para assumir protagonismo em um mercado cada vez mais atento a custos, mobilidade e eficiência.