Líder do PCC é preso suspeito de mandar matar ex-chefe da Polícia Civil de SP
Fernando Alberto Ribeiro Teixeira, o Careca ou Azul, é apontado como um dos articuladores do assassinato do delegado Ruy Ferraz Fontes
INVESTIGAÇÃO CRIMINALA Polícia Civil de São Paulo prendeu, nesta terça-feira (13), suspeitos de envolvimento direto no assassinato do delegado Ruy Ferraz Fontes, ex-chefe da Polícia Civil paulista. Entre os detidos está Fernando Alberto Ribeiro Teixeira, conhecido como Careca ou Azul, apontado como um dos líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), Teixeira, de 48 anos, é investigado como um dos mandantes do crime. As apurações indicam que ele teria participado do planejamento, da coordenação logística e da execução indireta do assassinato. O suspeito foi preso na cidade de Jundiaí, no interior paulista, onde também foram apreendidos dois aparelhos celulares.
Além de Teixeira, outras duas pessoas foram presas na mesma operação. Márcio Serapião de Oliveira, conhecido como Velhote, integrante do PCC, é investigado por apoio estratégico e logístico à ação criminosa. Já Manoel Alberto Ribeiro Teixeira, chamado de Manezinho ou Manoelzinho, também membro da facção, é apontado como responsável por apoio logístico e operacional ao crime.
A reportagem tenta contato com a defesa dos três presos. Caso haja manifestação, o texto será atualizado.
Ruy Ferraz Fontes foi assassinado em setembro, em Praia Grande, no litoral de São Paulo, município onde exercia o cargo de secretário. De acordo com o Ministério Público de São Paulo, o crime foi ordenado pelo alto escalão do PCC como forma de vingança.
Fontes comandou a Polícia Civil do Estado entre 2019 e 2022 e construiu uma trajetória marcada pelo enfrentamento direto à facção criminosa. Em 2006, foi responsável por indiciar toda a cúpula do PCC, incluindo Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder histórico da organização.
A investigação também resgata o histórico de Fernando Alberto Ribeiro Teixeira dentro do sistema prisional. Em 2019, durante a gestão de Fontes à frente da Polícia Civil, Azul esteve entre os presos transferidos da Penitenciária de Presidente Venceslau para presídios federais, a pedido do Ministério Público paulista. Ele cumpriu pena na Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, e deixou o sistema prisional no mês passado.
Para os investigadores, a prisão dos suspeitos representa um avanço significativo na apuração do crime, considerado um dos mais graves ataques recentes contra autoridades ligadas à segurança pública no Estado de São Paulo.