Eduardo Laguna | 13 de janeiro de 2026 - 14h25

Vendas de veículos crescem 2,1% em 2025 e ficam abaixo das projeções da indústria

Alta dos juros freia mercado, apesar de dezembro registrar melhor resultado mensal em 11 anos

MERCADO AUTOMOTIVO
Mercado automotivo cresce em 2025, mas fica abaixo das projeções da indústria e do nível pré-pandemia. - Foto: Imagem Ilustrativa / A Critica

Apesar do desempenho expressivo registrado em dezembro, o mercado brasileiro de veículos fechou 2025 com crescimento modesto no acumulado do ano. As vendas avançaram 2,1% em relação a 2024, totalizando 2,69 milhões de unidades comercializadas entre carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus. Os dados constam no balanço divulgado pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

O resultado ficou bem abaixo do crescimento de 14,1% registrado em 2024 e distante das expectativas iniciais do setor. No início do ano passado, a própria Fenabrave projetava uma alta de 5% nas vendas. Ao longo de 2025, porém, as previsões foram sendo revistas para baixo, até chegar a uma estimativa de 2,6% divulgada em outubro, que ainda assim não se confirmou integralmente.

As montadoras também reduziram suas apostas. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) começou 2025 projetando crescimento de 6,3% nas vendas de veículos zero quilômetro. Em agosto, a entidade ajustou a expectativa para 5%, diante de um cenário econômico mais restritivo.

O principal fator apontado para o ritmo mais fraco do mercado foi a elevação dos juros, que encareceu o crédito e dificultou o financiamento, principal forma de compra de veículos no País. O custo maior dos empréstimos reduziu a disposição do consumidor em assumir parcelas mais longas e compromissos financeiros elevados.

Por outro lado, alguns fatores ajudaram a evitar um desempenho ainda mais fraco. A expansão do emprego e da renda ao longo do ano, as compras realizadas por locadoras e os incentivos concedidos pelo governo federal, como os descontos no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para modelos de entrada dentro do programa Carro Sustentável, contribuíram para sustentar os volumes de vendas.

O destaque positivo ficou para o mês de dezembro. No último mês de 2025, foram licenciadas 279,4 mil unidades, considerando todas as categorias, o maior volume mensal em onze anos. O número representa crescimento de 8,6% na comparação com dezembro de 2024 e de 17,1% em relação a novembro.

Desde dezembro de 2014, quando o mercado brasileiro vendeu cerca de 370 mil veículos em um único mês, não era registrado um desempenho mensal tão elevado. O resultado reforça a avaliação de que houve uma reação pontual no fim do ano, impulsionada por campanhas promocionais, descontos e maior oferta de modelos.

Ainda assim, o avanço não foi suficiente para recolocar a indústria automotiva no patamar pré-pandemia. Em 2019, último ano antes da crise sanitária global, o País vendeu quase 100 mil veículos a mais do que em 2025, evidenciando que a recuperação do setor segue incompleta.

O desempenho do ano passado mostra um mercado que oscila entre estímulos pontuais e limitações estruturais, com o crédito caro se consolidando como o principal obstáculo para uma retomada mais consistente das vendas.