Redação | 13 de janeiro de 2026 - 11h35

Irã admite cerca de 2 mil mortos em protestos após duas semanas de repressão

Autoridades reconhecem número elevado de vítimas pela primeira vez desde início das manifestações

CRISE NO IRÃ
Confrontos entre manifestantes e forças de segurança marcaram duas semanas de protestos no Irã - (Foto: Reprodução)

O governo do Irã reconheceu, pela primeira vez, um número elevado de mortos durante os protestos que se espalharam pelo país nas últimas duas semanas. Segundo uma autoridade iraniana ouvida pela agência Reuters, cerca de duas mil pessoas, entre manifestantes e integrantes das forças de segurança, morreram durante a repressão às manifestações.

A declaração foi feita nesta terça-feira (13) e marca a primeira admissão oficial do impacto humano da onda de protestos, considerada o maior desafio interno ao regime iraniano em pelo menos três anos.

De acordo com a autoridade, as mortes teriam sido causadas por ações de grupos classificados pelo governo como “terroristas”. No entanto, não houve detalhamento sobre quantos manifestantes ou agentes de segurança estão entre as vítimas.

Os protestos tiveram início em meio ao agravamento das condições econômicas no país e se intensificaram em um cenário de maior pressão internacional sobre o Irã, após ataques realizados por Israel e pelos Estados Unidos no ano passado.

As autoridades religiosas, que governam o país desde a Revolução Islâmica de 1979, adotaram um discurso duplo diante da crise. Por um lado, reconheceram a legitimidade das reclamações relacionadas à economia. Por outro, autorizaram uma repressão severa, atribuindo a escalada da violência à interferência externa.

O governo iraniano acusa os Estados Unidos e Israel de incentivarem a instabilidade e afirma que grupos não identificados teriam se infiltrado nos protestos, desviando o caráter das manifestações.

Antes do reconhecimento oficial, organizações de defesa dos direitos humanos já haviam apontado centenas de mortes e relatado a prisão de milhares de pessoas. A Organização das Nações Unidas também vinha alertando para o aumento da violência, enquanto classificava como preocupante a possibilidade de aplicação da pena de morte contra manifestantes.

O fluxo de informações tem sido limitado por restrições impostas pelo governo, incluindo apagões de internet registrados nos últimos dias. Mesmo assim, vídeos divulgados nas redes sociais e verificados pela Reuters mostram confrontos noturnos entre manifestantes e forças de segurança, com registros de tiros, veículos incendiados e prédios em chamas.