Polícia prende suspeitos de mandar matar delegado Ruy Ferraz na Baixada Santista
Entre os detidos está Azul, apontado como líder do PCC; crime ocorreu em setembro de 2025, em Praia Grande
CRIME ORGANIZADOA Polícia Civil de São Paulo prendeu, na manhã desta terça-feira (13), três suspeitos de serem os mandantes do assassinato do delegado Ruy Ferraz Fontes, morto a tiros em 15 de setembro de 2025, em Praia Grande, na Baixada Santista. A informação foi divulgada inicialmente pelo portal UOL e confirmada pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Entre os presos está Fernando Gonçalves dos Santos, conhecido como Azul, apontado como um dos líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Também foram detidos Márcio Serapião de Oliveira, apelidado de Velhote, e Manoel Alberto Ribeiro Teixeira, conhecido como Manoelzinho. A reportagem tenta contato com a defesa dos investigados. O espaço segue aberto para manifestação.
As prisões fazem parte do avanço das investigações conduzidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo, que apuram as circunstâncias e os responsáveis intelectuais pela execução do delegado, um dos nomes mais conhecidos da segurança pública paulista nas últimas décadas.
Ruy Ferraz Fontes foi morto a tiros em Praia Grande, no litoral paulista, cidade onde atuava como secretário municipal à época do crime. O assassinato ocorreu em plena via pública e causou forte repercussão no meio policial e político.
Segundo o Ministério Público, o delegado foi executado por determinação do alto escalão do PCC, em um crime classificado como vingança. A motivação estaria diretamente ligada à trajetória profissional de Fontes, marcada por enfrentamento direto à facção criminosa.
Ruy Ferraz chefiou a Polícia Civil do Estado de São Paulo entre 2019 e 2022. Antes disso, construiu uma carreira associada a investigações de grande impacto contra o crime organizado.
Em 2006, Fontes foi o responsável por indiciar toda a cúpula do PCC, incluindo Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder máximo da facção. A atuação firme contra o grupo criminoso fez com que o delegado se tornasse um dos principais alvos da organização ao longo dos anos, segundo investigadores.
Um dos presos nesta terça-feira, Fernando Gonçalves dos Santos, o Azul, tem histórico de liderança dentro do PCC. Em 2019, durante a gestão em que Ruy Ferraz ocupava cargo de comando na Polícia Civil, Azul esteve entre os detentos transferidos da Penitenciária de Presidente Venceslau para presídios federais, a pedido do Ministério Público de São Paulo.
Na ocasião, ele cumpriu pena no presídio federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, e deixou o sistema prisional no mês passado. A ligação entre a transferência e a execução do delegado é uma das linhas centrais da investigação.
A Polícia Civil segue apurando a participação de outros envolvidos no crime e não descarta novas prisões nos próximos dias.