Andreza de Oliveira | 13 de janeiro de 2026 - 10h15

Entenda como vai funcionar a injeção com quase 100% de prevenção contra o HIV

Medicamento pode ser aplicado a cada seis meses e amplia opções de prevenção

SAÚDE
Teste HIV - (Foto: ABrasil)

A prevenção contra o HIV passa a contar com uma nova alternativa no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso do lenacapavir como forma de profilaxia pré-exposição (PrEP), estratégia voltada a reduzir o risco de infecção pelo vírus em pessoas que ainda não têm o HIV.

A autorização foi publicada nesta segunda-feira (12) no Diário Oficial da União e permite o uso do medicamento por pessoas a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 quilos, desde que apresentem teste negativo para HIV antes do início do tratamento.

O que muda na prática - Diferente da PrEP atualmente oferecida pelo SUS, que exige o uso diário de comprimidos, o lenacapavir traz um novo formato de uso. Ele poderá ser administrado de duas formas: injeção subcutânea ou comprimidos, conforme indicação médica.

O principal diferencial está na versão injetável, aplicada apenas duas vezes por ano, o que pode facilitar a adesão ao tratamento, especialmente para quem tem dificuldade em manter o uso diário de medicamentos.

Como o medicamento age - O lenacapavir é um antirretroviral considerado inovador porque atua em várias etapas do ciclo de reprodução do HIV, dificultando que o vírus se instale no organismo. Por isso, tem potencial tanto para prevenção quanto para tratamento.

Estudos clínicos indicaram boa eficácia como PrEP em diferentes grupos, incluindo adolescentes, mulheres, homens cisgênero e pessoas trans.

Lenacapavir poderá ser aplicado a cada seis meses como forma de prevenção ao HIV - (Foto: Arte A Crítica)

Em 2023, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia incluído o medicamento como opção adicional de PrEP e, em dezembro, recomendou a ampliação do acesso.

Quem pode usar - Antes de iniciar o uso, é obrigatório realizar teste para HIV, já que o medicamento não deve ser usado por quem já está infectado. O esquema de uso, seja injetável ou oral, deve ser definido por um profissional de saúde.

A aplicação injetável é feita por via subcutânea, na região do abdômen, sempre por um profissional, com intervalo de seis meses entre as doses.

Efeitos colaterais e cuidados - Segundo a Anvisa, o perfil de segurança é considerado favorável, com efeitos adversos geralmente leves ou moderados. No caso da injeção, podem ocorrer reações no local da aplicação, como dor, inchaço, vermelhidão, coceira ou endurecimento da pele.

A agência também alerta para o risco de resistência ao medicamento, especialmente se a pessoa iniciar o uso sem saber que já está infectada ou se contrair o vírus durante o tratamento e houver atraso no diagnóstico.

Preço e acesso no SUS - O custo é apontado como um dos principais desafios. Estudos indicam que o tratamento anual pode ultrapassar US$ 28 mil por paciente, o que equivale a cerca de R$ 150 mil.

Antes de chegar ao mercado, o medicamento ainda precisa ter o preço máximo definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Já a oferta pelo SUS dependerá de avaliação da Conitec e de decisão do Ministério da Saúde.

O que é PrEP - A PrEP é uma estratégia de prevenção voltada a pessoas com maior risco de infecção pelo HIV. Atualmente, o SUS oferece a PrEP oral, tomada diariamente, com dois medicamentos combinados.

Ela faz parte da chamada prevenção combinada, que inclui ainda testagem regular, uso de preservativos, profilaxia pós-exposição (PEP), tratamento de infecções sexualmente transmissíveis e acompanhamento médico contínuo.