Iury de Oliveira | 13 de janeiro de 2026 - 08h45

Operação Piracema intensifica fiscalização na bacia do rio Paraguai

Polícia Militar Ambiental registra mais de 8 mil quilômetros de patrulhamento, 13 autos de infração e apreensão de 339 kg de pescado no período de defeso em Mato Grosso do Sul

MEIO AMBIENTE
Equipe da Polícia Militar Ambiental durante patrulhamento na bacia do rio Paraguai, na Operação Piracema 2025, em Mato Grosso do Sul. - (Foto: PMA)

A Operação Piracema 2025 já mudou a rotina às margens da bacia do rio Paraguai em Mato Grosso do Sul. Desde o início do período de defeso, em 5 de novembro, a Polícia Militar Ambiental, por meio do 1º Batalhão de Polícia Militar Ambiental (1º BPMA), vem reforçando a fiscalização em rios, estradas e áreas ribeirinhas. Até segunda-feira, 12 de janeiro, o balanço parcial aponta 8.341 quilômetros de patrulhamento, 13 autos de infração ambiental, R$ 51.168,00 em multas e a apreensão de 339,73 quilos de pescado, além de ampla atuação preventiva com abordagens e orientações à população.

A operação acompanha o período de defeso reprodutivo dos peixes, que vai de 5 de novembro a 28 de fevereiro, conforme a legislação ambiental em vigor. Nessa fase, conhecida como Piracema, os peixes migram para desovar. É um momento biologicamente sensível, essencial para a reposição natural dos estoques pesqueiros e para a manutenção do equilíbrio dos ecossistemas aquáticos.

Por causa dessa vulnerabilidade, a lei proíbe, durante o defeso, a pesca, o transporte e a comercialização de pescado, com algumas exceções específicas previstas em normas ambientais. O objetivo é evitar a captura de peixes justamente no momento em que eles garantem a continuidade das espécies.

Fiscalização alcança rios, estradas e áreas urbanas - Para garantir o cumprimento dessas regras, o 1º BPMA atua em toda a área da bacia hidrográfica do rio Paraguai, em Mato Grosso do Sul. A fiscalização ocorre tanto em ambiente fluvial quanto terrestre e se estende por rios, margens, barrancos, deques, rodovias, áreas urbanas e rurais, além de estabelecimentos ligados à cadeia produtiva do pescado.

Essa abrangência permite monitorar desde os pontos tradicionais de pesca até locais de acesso mais discreto, usados por pescadores amadores e profissionais. A presença das equipes também alcança pousadas, pesqueiros e peixarias, para verificar a origem do pescado e coibir irregularidades na comercialização durante a Piracema.

Equipe da Polícia Militar Ambiental durante patrulhamento na bacia do rio Paraguai, na Operação Piracema 2025, em Mato Grosso do Sul.

Ações preventivas e de orientação à população - O balanço parcial da Operação Piracema 2025 mostra que, até 12 de janeiro, foram realizadas 1.032 orientações e abordagens a pessoas e 682 abordagens a veículos, além da instalação de 103 pontos de bloqueio em diferentes regiões.

Essas ações ocorrem tanto em terra quanto nos rios, com abordagens a embarcações, barcos e lanchas, além de fiscalizações em barrancos, margens, deques e pontos de acesso usados por pescadores e frequentadores das áreas ribeirinhas.

As equipes têm atuado não apenas de forma repressiva, mas também educativa. Durante as abordagens, pescadores, moradores ribeirinhos, turistas e usuários das vias são orientados sobre:

  • regras do período de defeso

  • espécies protegidas

  • petrechos proibidos

  • penalidades previstas em lei em caso de irregularidades

Ao mesmo tempo, a fiscalização busca inibir o transporte e a captura ilegal de pescado, mostrando aos abordados as consequências ambientais e legais da pesca predatória em plena Piracema.

Patrulhamento terrestre e aquático reforça presença do Estado - Desde o início da operação, as equipes da Polícia Militar Ambiental percorreram 8.341 quilômetros em patrulhamento, sendo 8.063 quilômetros em ações terrestres e 278 quilômetros em patrulhamento aquático.

O patrulhamento terrestre concentra-se em áreas urbanas e rurais, rodovias e estradas que dão acesso a regiões ribeirinhas. Já o patrulhamento aquático permite chegar a trechos isolados de rios e canais, muitas vezes utilizados para a prática de pesca ilegal justamente pela dificuldade de acesso.

Essa combinação de frentes de atuação garante uma cobertura territorial mais ampla, reforça a presença do Estado em áreas sensíveis e aumenta a chance de flagrar irregularidades durante o período de defeso, além de funcionar como fator de inibição para quem insiste em desrespeitar a lei.

O patrulhamento terrestre concentra-se em áreas urbanas e rurais, rodovias e estradas que dão acesso a regiões ribeirinhas

Autos de infração e multas aplicadas durante a operação - No campo repressivo, até o dia 12 de janeiro foram lavrados 13 autos de infração ambiental, somando R$ 51.168,00 em multas. As penalidades decorrem do descumprimento das normas ambientais que regulam o período de defeso e a pesca na região.

As sanções incluem:

  • multas administrativas

  • apreensão de pescado

  • apreensão de petrechos (equipamentos de pesca)

  • apreensão de embarcações utilizadas na prática das infrações

Além de punir, as autuações têm caráter educativo, ao reforçar a responsabilidade dos infratores e desestimular a reincidência, especialmente em um momento crucial para a reprodução das espécies de peixes.

Pescado apreendido tem destinação controlada - Até a data do balanço, a operação resultou na apreensão de 339,73 quilos de pescado e na fiscalização de 3.202,30 quilos. A apreensão representa a interrupção imediata de danos ambientais em andamento, evitando a retirada indevida de grandes quantidades de peixe justamente no período mais sensível do ciclo reprodutivo.

O pescado apreendido passa por verificação quanto à sua condição de consumo:

  • quando próprio para consumo, é destinado à doação para instituições assistenciais da comunidade local

  • quando impróprio, recebe descarte ambientalmente adequado, conforme normas sanitárias e ambientais vigentes

Esse cuidado impede que o produto de crime ambiental continue circulando e, ao mesmo tempo, garante uma destinação socialmente correta, quando possível, sem abrir mão do rigor na fiscalização.

Estabelecimentos ligados à pesca passam por fiscalização - A Operação Piracema 2025 não se limita às margens dos rios. As equipes também atuam na fiscalização da cadeia produtiva do pescado. Até o momento, 78 estabelecimentos foram vistoriados, incluindo pesqueiros, pousadas e peixarias.

Nesses locais, os policiais verificam:

  • regularidade dos estoques de pescado

  • documentação que comprove a origem do produto

  • cumprimento das restrições impostas pelo período da Piracema

Ao atingir esses pontos da cadeia, a operação dificulta a comercialização irregular de peixe, reforçando que a responsabilidade pela proteção dos estoques pesqueiros não é apenas de quem pesca, mas também de quem compra, vende ou armazena pescado no período de defeso.

Apreensão de petrechos de pesca reduz reincidência - Outro foco importante da operação é a retirada de equipamentos usados na pesca irregular. Até o momento, foram apreendidos 135 petrechos de pesca, entre linhas, anzóis, carretilhas, redes, jambobos e outros materiais utilizados na captura de peixes em desacordo com a legislação.

A apreensão desses equipamentos impede a continuidade da prática ilegal e reduz de forma significativa a chance de reincidência, já que muitos dos petrechos apreendidos são de uso repetido e alto impacto, como redes e ferramentas de pesca predatória.

Ao retirar esses materiais de circulação, a fiscalização contribui diretamente para a preservação da fauna aquática e para a recuperação dos estoques pesqueiros na bacia do rio Paraguai.

Operação Piracema 2025 reforça fiscalização na bacia do rio Paraguai, com multas, apreensões e ações educativas em Mato Grosso do Sul.

Operação segue até o fim do defeso em fevereiro - A Polícia Militar Ambiental informa que a Operação Piracema segue em andamento até 28 de fevereiro, acompanhando todo o período de defeso estabelecido em lei. Até lá, as ações de fiscalização, orientação e repressão continuam intensificadas em Mato Grosso do Sul, com foco na bacia do rio Paraguai.

Ao divulgar o balanço parcial, o 1º Batalhão de Polícia Militar Ambiental reforça a importância da colaboração da população, de pescadores profissionais e amadores, de comerciantes e de turistas para o respeito às regras do período de reprodução dos peixes.

O cumprimento da legislação durante a Piracema é apontado como fundamental para proteger os recursos naturais e assegurar a sustentabilidade da pesca no Estado, garantindo que as espécies continuem se reproduzindo e que a atividade pesqueira possa ser praticada de forma regular nos períodos liberados.