Fernanda Bompan | 13 de janeiro de 2026 - 08h50

Dólar abre em leve alta e investidores aguardam dados de inflação dos Estados Unidos

Mercado opera com cautela antes da divulgação do CPI americano e de eventos-chave no Brasil

ECONOMIA
Dólar opera em leve alta frente ao real em meio à expectativa por dados econômicos nos Estados Unidos. - (Foto: Freepik)

O dólar à vista iniciou esta terça-feira (13) em leve alta frente ao real, refletindo a postura cautelosa dos investidores diante de uma agenda carregada de indicadores econômicos no Brasil e no exterior. Por volta da abertura dos negócios, a moeda norte-americana subia 0,07%, negociada a R$ 5,3761.

O movimento ocorre em meio à expectativa pela divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) de dezembro nos Estados Unidos, prevista para as 10h30 (horário de Brasília). O dado é acompanhado de perto pelo mercado por trazer novos sinais sobre a condução da política monetária americana. A mediana das estimativas do Projeções Broadcast aponta alta de 0,30% no índice cheio em dezembro, após avanço de 0,20% em novembro, com inflação acumulada em 12 meses de 2,7%.

O resultado pode reforçar a percepção de que o Federal Reserve (Fed) deve manter a taxa básica de juros no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano na reunião marcada para o fim deste mês. Ao longo do dia, também estão previstos discursos de dirigentes da autoridade monetária americana, como Alberto Musalem, presidente do Fed de St. Louis, às 12h, e Tom Barkin, presidente do Fed de Richmond, à 1h.

Antes da abertura dos mercados, presidentes de diversos bancos centrais divulgaram um comunicado conjunto manifestando solidariedade ao Federal Reserve e ao presidente da instituição, Jerome Powell. A nota foi divulgada após Powell se tornar alvo de uma investigação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, episódio que gerou instabilidade nos mercados na véspera.

O comunicado conta com a assinatura do presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, e foi interpretado por analistas como um gesto de defesa da independência das autoridades monetárias, fator considerado relevante para a previsibilidade das políticas econômicas globais.

No cenário doméstico, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou nesta manhã que o volume de serviços prestados recuou 0,1% em novembro na comparação com outubro, considerando a série com ajuste sazonal, de acordo com a Pesquisa Mensal de Serviços.

Apesar do resultado negativo, analistas avaliam que o dado não altera, neste momento, a expectativa predominante de manutenção da taxa Selic em 15% ao ano na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), também prevista para o fim de janeiro.

Ainda na agenda econômica, a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) divulga, às 11h30, os números de vendas de veículos referentes a dezembro e ao acumulado de 2025.

No período da tarde, às 15h, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participam da cerimônia de lançamento da plataforma digital da Reforma Tributária, evento que também é monitorado pelos agentes do mercado.

Outro ponto de atenção segue sendo o caso envolvendo o Banco Master. O tema voltou ao radar após o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo, acertar com o Banco Central a realização de uma inspeção na autoridade monetária.

No cenário internacional, investidores também acompanham possíveis efeitos sobre a balança comercial brasileira após o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de tarifas de 25% a países que mantêm relações comerciais com o Irã. Apesar disso, a participação iraniana nas exportações brasileiras é considerada marginal.

Na segunda-feira (12), o dólar à vista encerrou o pregão em alta de 0,12%, cotado a R$ 5,3725. Ao longo do dia, a moeda oscilou entre a mínima de R$ 5,3509 e a máxima de R$ 5,3859, ambas registradas pela manhã.

Segundo operadores, o movimento refletiu ajustes técnicos após a recente queda do dólar e uma postura mais defensiva dos investidores antes da divulgação dos principais dados econômicos da semana.