Vanessa Araujo | 12 de janeiro de 2026 - 20h00

Hugo Motta diz que espera gestos de Lula antes de decidir apoio à reeleição

Presidente da Câmara afirma que reciprocidade política e interesses da Paraíba pesam na definição

POLÍTICA
Presidente da Câmara, Hugo Motta condiciona apoio a Lula a gestos do governo federal. - (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta segunda-feira (12) que só decidirá se apoiará a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após observar “gestos” do Palácio do Planalto. Segundo ele, qualquer posicionamento passa por reciprocidade política e pela construção de um projeto que contemple os interesses da Paraíba.

A declaração foi dada durante um evento em João Pessoa, onde o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, aliado de Motta, anunciou apoio do governo federal ao pré-carnaval da capital paraibana. Para o deputado, a definição sobre 2026 exige diálogo e contrapartidas claras.

“A política se constrói com reciprocidade. Nós temos que nessa construção política entender o que vamos ter de apoios e de gestos para decidir quem vamos apoiar. É isso que temos que construir de maneira muito tranquila e respeitosa para com a população do nosso estado”, afirmou Motta.

O parlamentar ressaltou que a decisão não depende apenas de Lula, mas também do posicionamento do PT e das alianças locais do Republicanos. Segundo ele, o foco é garantir um projeto político que represente as necessidades do estado.

“Isso primeiro depende do presidente, depende do partido do presidente. O que nós temos procurado dialogar, no âmbito do Republicanos e da aliança que nós temos com o governador João Azevêdo e com o vice-governador Lucas Ribeiro, é poder ter um projeto que verdadeiramente represente aquilo que o estado precisa”, disse.

Motta também comentou o veto do presidente Lula ao projeto que trata da dosimetria das penas para condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro. Ele afirmou que encara o tema com serenidade e destacou que caberá ao Congresso avaliar a decisão do Executivo.

“Vejo isso com muita tranquilidade. Esse é um assunto que acabou dividindo o Brasil durante todo o ano de 2025. A proposta votada na Câmara dos Deputados foi bastante dialogada e teve quase 300 votos. Agora, respeitando o direito e a prerrogativa do presidente de vetar as matérias aprovadas pelo Congresso, o Congresso irá também, na sua prerrogativa, analisar o veto do presidente”, declarou.

Para a derrubada de um veto presidencial, são necessários ao menos 257 votos na Câmara dos Deputados e 41 votos no Senado Federal.