Sheinbaum nega invasão dos EUA e diz que Trump respeitará soberania do México
Presidente mexicana afirma ter conversado com o líder norte-americano e descarta ação militar contra cartéis
DIPLOMACIA INTERNACIONALA presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou nesta segunda-feira (12) que os Estados Unidos não vão invadir o país para combater o tráfico de drogas, rebatendo declarações recentes do presidente norte-americano, Donald Trump, que sugeriram uma possível ação militar contra cartéis mexicanos.
Em publicação nas redes sociais, Sheinbaum informou que conversou por telefone com Trump e classificou o diálogo como positivo. Segundo ela, os dois trataram de temas sensíveis da relação bilateral, incluindo segurança, comércio e investimentos, sempre com ênfase no respeito à soberania dos dois países.
“Foi uma boa conversa. Falamos de vários assuntos, incluindo segurança com respeito às nossas soberanias, a diminuição do tráfico de drogas, o comércio e investimentos”, escreveu a presidente mexicana. Para Sheinbaum, o caminho para enfrentar problemas comuns passa pela cooperação institucional. “A colaboração e a cooperação num contexto de respeito mútuo sempre produzem resultados”, afirmou.
A manifestação ocorre dias após Trump declarar publicamente que os Estados Unidos poderiam realizar ataques terrestres contra cartéis de drogas no México. Em tom crítico, o presidente norte-americano chegou a dizer que “é muito triste ver e observar o que aconteceu neste país”, ao se referir ao vizinho latino-americano.
As declarações provocaram reação imediata no governo mexicano, que tem reiterado a defesa da soberania nacional e rejeitado qualquer possibilidade de intervenção estrangeira em seu território. A fala de Sheinbaum busca conter a escalada diplomática e sinalizar que não há, no momento, risco de uma ação militar dos EUA.
Nos últimos dias, Trump também voltou a adotar um discurso duro contra outros países da América Latina. Após a invasão da Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro, o norte-americano passou a fazer novas ameaças públicas. No domingo (11), em sua rede social, afirmou que Cuba não conta mais com petróleo nem recursos financeiros vindos da Venezuela.
Na mesma publicação, Trump escreveu que seria melhor Cuba “fazer um acordo [com os EUA] antes que seja tarde”, em mais uma declaração que elevou a tensão diplomática na região.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, reagiu às falas e reforçou a posição do governo da ilha. “Cuba é uma nação livre, independente e soberana”, declarou. “Ninguém nos dirá o que fazer”, completou.
O posicionamento de Sheinbaum, ao descartar uma invasão e destacar o diálogo com Washington, ocorre em um contexto de crescente instabilidade diplomática envolvendo os Estados Unidos e países latino-americanos, e busca reafirmar o papel do México como defensor da cooperação internacional sem abrir mão de sua autonomia política.