Mercedes-Benz e Volkswagen enfrentam 2025 difícil com queda de vendas globais
Tarifas, concorrência na China e ajustes nos Estados Unidos pressionam desempenho das montadoras alemãs
INDÚSTRIA AUTOMOTIVAAs montadoras alemãs Mercedes-Benz e Volkswagen encerraram 2025 com desempenho pressionado, refletindo um cenário global adverso para a indústria automotiva. A combinação de tarifas comerciais, concorrência acirrada — especialmente no mercado chinês — e mudanças operacionais nos Estados Unidos impactou diretamente os resultados das duas empresas ao longo do ano.
A Mercedes-Benz informou que as vendas globais de automóveis recuaram 9% em 2025, totalizando 1,8 milhão de unidades. A maior pressão veio da China, principal mercado da montadora, onde as vendas caíram 19%. Nos Estados Unidos, a retração foi de 12%, resultado de uma estratégia de controle mais rigoroso de estoques diante das interrupções no comércio internacional.
“De forma geral, as vendas foram influenciadas por tarifas e pelo ambiente competitivo do mercado”, afirmou a empresa em comunicado ao comentar o desempenho anual.
Na Europa, o recuo foi mais moderado, de 1%, indicando um cenário de maior estabilidade em comparação a outros mercados. Apesar do resultado negativo no acumulado do ano, a Mercedes-Benz destacou a recuperação no último trimestre. Segundo a montadora, o quarto trimestre foi “o período mais forte do ano”, com crescimento sequencial das vendas em todas as regiões.
O segmento de veículos elétricos a bateria apresentou avanço de 3% no quarto trimestre, impulsionado pelo lançamento do novo CLA elétrico. A empresa informou ainda que a demanda pelos modelos CLA e GLC elétricos superou as expectativas, com a carteira de pedidos preenchida até a segunda metade de 2026, sinalizando perspectiva mais favorável para os próximos anos.
A Volkswagen também sentiu os efeitos do ambiente global desafiador. O grupo registrou queda de 0,5% nas entregas globais em 2025, somando 8,98 milhões de veículos. Na China, as entregas recuaram 8%, para 2,69 milhões de unidades, em meio à concorrência intensa de fabricantes locais e aos impactos das tarifas comerciais.
Outro fator citado pela empresa foi o fim dos subsídios a veículos elétricos nos Estados Unidos, que afetou a demanda no mercado norte-americano. No quarto trimestre, as entregas globais do grupo caíram 4,9% na comparação anual, reforçando a desaceleração no fim do ano.
“A intensa situação competitiva na China, assim como as tarifas e a descontinuação dos subsídios a veículos elétricos nos EUA, impactaram nossos negócios”, afirmou Marco Schubert, membro do comitê executivo ampliado da Volkswagen.
O desempenho das duas montadoras evidencia os desafios enfrentados pela indústria automotiva global em um período de transição tecnológica e tensões comerciais. Ao mesmo tempo em que lidam com pressões de curto prazo, Mercedes-Benz e Volkswagen apostam na expansão de suas linhas de veículos elétricos como estratégia para recuperar competitividade e atender às novas demandas do mercado nos próximos anos.