Geovanna Hora | 12 de janeiro de 2026 - 10h45

BRB pede ao STF acesso a inquérito sigiloso sobre Banco Master

Banco brasiliense, citado em falhas na relação com o Master, tenta acompanhar apurações da PF na Operação Compliance Zero

CASO MASTER
Fachada do BRB em Brasília; banco pediu ao STF acesso à investigação sigilosa sobre o Banco Master na Operação Compliance Zero. - (Foto: ABrasil)

O Banco Regional de Brasília (BRB) pediu à Justiça autorização para ter acesso à investigação contra o Banco Master, que hoje tramita sob “sigilo padrão” no Supremo Tribunal Federal (STF), por decisão do ministro Dias Toffoli. Nessa classificação, apenas o Ministério Público, advogados constituídos, servidores autorizados do STF e pessoas ligadas ao gabinete do ministro podem consultar os autos.

Em nota enviada ao Estadão, o BRB informou que, “por meio do escritório contratado para a condução de auditoria forense”, solicitou habilitação para acessar todos os procedimentos investigativos ligados à Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. O banco afirma que agora “aguarda a decisão da Justiça” sobre os pedidos já apresentados.

O movimento ocorre após uma sequência de reveses envolvendo o Master. O BRB tentou comprar uma fatia da instituição, mas o negócio foi reprovado pelo Banco Central em setembro, depois de pouco mais de cinco meses de análise. Em 18 de novembro, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e o controlador da instituição, Daniel Vorcaro, foi preso no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura irregularidades no mercado financeiro.

No mês passado, o BRB comunicou ao mercado a contratação do escritório Machado Meyer Advogados, com apoio técnico da Kroll, para conduzir uma investigação independente sobre fatos mencionados na operação que possam envolver o banco. Os relatórios serão encaminhados a um Comitê Independente de Investigação, criado em 28 de novembro de 2025 e formado por executivos que não ocupavam cargos na instituição no período analisado.

A própria investigação da Polícia Federal já apontou falhas e omissões do BRB em operações feitas em conjunto com o Master. Logo após a liquidação do banco, o Conselho de Administração do BRB decidiu pedir à Justiça Federal em Brasília para ingressar como assistente de acusação na ação movida contra o Master, numa tentativa de acompanhar de perto o processo e, ao mesmo tempo, se distanciar de eventuais responsabilidades penais e civis.