Redação | 12 de janeiro de 2026 - 11h15

'Precisamos continuar a fazer filmes sobre a ditadura', diz Wagner Moura após o Globo de Ouro

Ator fala após vencer o Globo de Ouro e afirma que o tema ainda reflete o cotidiano brasileiro

CINEMA BRASILEIRO
Wagner Moura levou o prêmio de melhor ator de drama - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

Vencedor do Globo de Ouro 2026 de Melhor Ator em Filme de Drama por O Agente Secreto, Wagner Moura afirmou que o cinema brasileiro precisa continuar abordando o período da ditadura militar. Em entrevista coletiva após a cerimônia, realizada no domingo (11), o ator disse que o tema segue atual e ainda influencia a vida política e social do País.

Ao comentar o prêmio, Moura destacou que o Brasil continua lidando com consequências diretas do regime militar. Segundo ele, a produção de filmes sobre o período é necessária como forma de preservar a memória histórica e estimular a reflexão.

O ator afirmou que a ditadura representa uma ferida ainda aberta na sociedade brasileira e ressaltou que o intervalo histórico é relativamente recente. Para ele, os efeitos do regime não ficaram restritos ao passado e se manifestam de diferentes formas no presente.

Durante a conversa com jornalistas, Wagner Moura relacionou o tema ao cenário político recente do Brasil. O ator mencionou o período entre 2018 e 2022, quando o País foi governado por um presidente de extrema-direita, apontando esse contexto como reflexo direto dos ecos deixados pela ditadura.

Moura concluiu reforçando que o impacto do regime militar ainda está presente no cotidiano brasileiro, o que, segundo ele, justifica a continuidade de produções cinematográficas que tratem do assunto.

Reconhecimento internacional

Dirigido por Kleber Mendonça Filho, O Agente Secreto também venceu o Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Não Inglesa. A conquista marcou a primeira vitória do Brasil na categoria em 27 anos, desde Central do Brasil, além de ser a primeira vez que o país levou dois prêmios na mesma edição da premiação.

No discurso de agradecimento, Kleber Mendonça Filho destacou a parceria com Wagner Moura, saudou o Brasil e dedicou o prêmio aos jovens cineastas. O diretor ressaltou o momento histórico vivido pelo cinema e defendeu a importância da realização de filmes tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

O longa ainda concorreu ao prêmio de Melhor Filme de Drama, mas a estatueta ficou com Hamnet.