Gabriela Caputo | 12 de janeiro de 2026 - 09h05

Wagner Moura celebra Globo de Ouro e vê "momento extraordinário" do cinema brasileiro

Ator venceu como melhor ator em filme de drama e levou prêmio de filme em língua não inglesa com O Agente Secreto

GOLDEN GLOBE 2026
Wagner Moura levou o prêmio de melhor ator de drama - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

Pouco antes de subir ao palco do Globo de Ouro 2026, em Los Angeles, Wagner Moura já deixava claro que a indicação por O Agente Secreto tinha um peso especial na carreira. Ao lado da esposa, Sandra Delgado, ele lembrou que já havia disputado o prêmio há dez anos, pela série Narcos, mas destacou que desta vez a sensação era diferente: “Estamos representando o Brasil. Um filme brasileiro recebendo essa atenção, um ano depois do que aconteceu com Ainda Estou Aqui, é extraordinário”, disse em entrevista à TNT, no tapete vermelho.

Minutos depois, o filme dirigido por Kleber Mendonça Filho foi anunciado vencedor na categoria de filme em língua não inglesa, e o brasileiro levou também o troféu de melhor ator em filme de drama. Moura contou que enxerga muito de si no personagem Marcelo: ele costuma escrever cadernos para cada papel e, em determinado momento, sempre anota que aquele personagem é uma versão dele mesmo. “Nesse caso foi muito forte, porque o projeto nasceu de uma inquietação muito pessoal nossa. Eu sinto que estou muito eu mesmo ali. É uma mistura”, afirmou.

O ator também comentou o impacto internacional da obra e o modo como o diretor constrói seus personagens. Para ele, quando a humanidade vem antes do discurso, o filme se torna compreensível em qualquer lugar do mundo. “Com um diretor como o Kleber, qualquer filme é traduzível e entendível em qualquer lugar. Muitos filmes políticos se perdem porque o discurso vem antes da humanidade. Quando é ao contrário, não tem jeito, as pessoas vão se enxergar no personagem”, avaliou.

Moura reforçou ainda que arte e política caminham juntas, mesmo nas obras que parecem apenas divertir. “Vai te fazer agir diferente na sua vida, eu acho que isso é político. Coisas pequenas são políticas”, disse. Ele celebrou o engajamento do público brasileiro com O Agente Secreto e enxergou na repercussão uma reaproximação do país com seu próprio cinema: “É uma reconexão muito bonita do espectador brasileiro com seu cinema, com sua cultura. É bonito demais ver a galera reagindo, comentando, indo pra internet. Eu acho espetacular”.