Repressão a protestos no Irã deixa ao menos 538 mortos, apontam ativistas
Governo iraniano reage a apoio dos EUA e faz alerta direto a Washington e Israel
ORIENTE MÉDIOA repressão às manifestações que se espalharam pelo Irã nas últimas duas semanas já deixou pelo menos 538 mortos, segundo levantamento divulgado neste domingo, dia 11, por ativistas de direitos humanos. O número pode ser ainda maior, de acordo com as entidades que monitoram a situação, diante das dificuldades de comunicação no país e da ausência de dados oficiais do governo iraniano.
As informações são da Human Rights Activists News Agency, organização sediada nos Estados Unidos e que acompanha episódios de violência política no Irã. Segundo a entidade, mais de 10.600 pessoas foram detidas desde o início dos protestos. Do total de mortos contabilizados, 490 seriam manifestantes e 48 integrantes das forças de segurança.
A agência afirma que se baseia em uma rede de apoiadores dentro do Irã para checar as informações. O trabalho, no entanto, tem sido prejudicado pelo apagão imposto pelas autoridades, com a interrupção do acesso à internet e o bloqueio de linhas telefônicas em diversas regiões do país.
Diante desse cenário, veículos internacionais relatam dificuldade para verificar de forma independente o número de vítimas. O governo iraniano, até o momento, não divulgou balanço oficial sobre mortos e feridos desde o início da repressão.
No exterior, cresce a preocupação de que a falta de comunicação esteja abrindo espaço para uma atuação ainda mais dura de setores linha-dura das forças de segurança. Mesmo assim, manifestantes voltaram às ruas neste domingo, especialmente em Teerã e na segunda maior cidade do país, mantendo os protestos apesar do risco.
A escalada de violência ocorre em meio a um aumento da tensão diplomática. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou apoio às manifestações por meio das redes sociais. De acordo com duas fontes que acompanham as discussões internas em Washington, o governo americano avalia possíveis respostas ao Irã, que vão desde ataques cibernéticos até ações diretas envolvendo forças dos Estados Unidos ou de Israel.
O governo iraniano reagiu às declarações e fez um alerta direto. Autoridades em Teerã afirmaram que, caso os Estados Unidos usem força para proteger manifestantes, as Forças Armadas americanas e israelenses passarão a ser consideradas “alvos legítimos”.
A Casa Branca informou que, até o momento, nenhuma decisão foi tomada sobre eventuais medidas contra o Irã. Enquanto isso, o cenário no país segue instável, com repressão, prisões em massa e incertezas sobre os próximos desdobramentos do confronto entre manifestantes e o regime iraniano.